Quando se fala em IPTV ilegal, o reflexo imediato é apontar para quem tem menos dinheiro. A ideia está enraizada: se não podem pagar, recorrem a esquemas. Mas quando se olha com atenção para os hábitos reais de consumo, para os preços praticados em Portugal e para a forma como o entretenimento é vendido hoje, as coisas são bem diferentes. A verdade é desconfortável e por isso mesmo interessante. A IPTV ilegal não é usada apenas por quem não pode pagar. Quem usa mais a IPTV ilegal em Portugal é quem já pagou demais!
Quem usa mais IPTV ilegal em Portugal? Há um erro clássico!
Sim, existe um grupo claro de utilizadores de IPTV ilegal com rendimentos baixos. Isso é inegável.
Em Portugal o custo de vida disparou e ao mesmo tempo os salários ficaram para trás. Assim um pacote de TV com desporto pode ultrapassar facilmente os 40€ por mês e a verdade é que o futebol continua a ser, para muitos, um bem essencial.

Para este grupo, a IPTV aparece como uma solução prática. É que na prática as pessoas têm acesso a tudo a um preço simbólico. A isto juntam-se zero fidelizações e também aumentos anuais.
Mas este grupo, apesar de visível, não explica o crescimento explosivo da IPTV ilegal.
O grupo que ninguém quer admitir: os ricos
É aqui que o tema fica interessante. Nos últimos anos, a IPTV ilegal começou a aparecer em casas com televisões topo de gama, Fibra de 1Gbps, Soundbars e sistemas Dolby Atmos, Pessoas com bons salários, negócios próprios ou profissões qualificadas. Este utilizador pode pagar. Mas não quer. Porquê?
O problema não é o preço isolado. é o modelo inteiro.
Hoje, em Portugal o futebol está espalhado por vários serviços. Para além disso as séries estão fragmentadas por plataformas. Isto já para não falar de que os preços sobem todos os anos. Para além disso, os pacotes vêm cheios de canais que ninguém vê e a publicidade não desaparece, mesmo pagando.

Como tal, para muitas pessoas o pensamento é este. “Pago, pago, pago… e continuo sem ter tudo.”. Assim quando surge alguém a dizer por 10€ tens tudo, mesmo tudo, a decisão deixa de ser financeira. Como tal passa a ser emocional e racional ao mesmo tempo.
Este é o ponto-chave que muda tudo.
Quem tem rendimentos médios ou altos usa IPTV ilegal não porque precisa, mas porque recusa o modelo atual.
É uma forma de dizer não aceito pagar 5 serviços diferentes, não aceito pagar por canais inúteis, nem perder jogos porque estão noutro operador”. A IPTV ilegal transforma-se numa resposta ao cansaço do consumidor.
O papel do futebol: o gatilho principal
Em Portugal, a conversa começa quase sempre aqui. O futebol é caro, está fragmentado e obriga a subscrições específicas. Muito utilizadores começam com a IPTV ilegal para ver futebol e acabam com séries, filmes e todos os canais.
Mas quem usa mais IPTV ilegal?
Todos. Ou seja, quem tem menos dinheiro usa porque não consegue pagar e quem tem mais dinheiro usa porque não aceita pagar desta forma. Mas na realidade hoje em dia as pessoas que mais utilizam são as que têm mais dinheiro.

