Durante anos, a pirataria de IPTV viveu numa espécie de zona cinzenta. Especialmente em regiões como a nossa, onde até parece existir uma espécie de orgulho em piratear os serviços legítimos de desporto Premium, consequência direta da “ganância” de alguns desses serviços.
Dito isto, havia processos, havia rusgas, havia apreensões. Mas, no fim do dia, raramente havia consequências reais para quem estava por trás dos serviços. Pois… Isso acabou de mudar em Espanha.
Mais concretamente, a justiça espanhola condenou os responsáveis pelo grupo conhecido como “Servicio-IPTV” a penas que podem chegar aos três anos de prisão efetiva por crimes contra a propriedade intelectual.
Isto não é uma multa simbólica, nem é uma pena suspensa. É mesmo cadeia a sério, e se acontece em Espanha, é uma questão de tempo até acontecer por cá também.
Uma sentença que muda o jogo da IPTV Pirata!

A decisão foi tomada pelo Tribunal Provincial de Málaga e é considerada histórica por várias razões. Desde logo porque determina o encerramento definitivo dos serviços servicio-iptv, servicioiptvccam e servicioiptvpremium, todos eles usados para vender acesso ilegal a canais de televisão por subscrição.
Mas o ponto mais relevante está nas penas aplicadas. O tribunal deixou claro que, mesmo sem antecedentes criminais, os condenados não conseguem escapar à prisão. Algo que até aqui era comum em processos deste género, onde as penas acabavam suspensas ou convertidas em sanções menores.
Neste caso, isso não aconteceu.
Milhares de canais, lucro real e negócio organizado
De acordo com a investigação, o grupo oferecia acesso a mais de 8.000 canais de televisão nacionais e internacionais, através de várias plataformas online. O modelo de negócio era simples e altamente lucrativo. Subscrições anuais a rondar os 50 euros, além de planos mensais, trimestrais e semestrais, todos eles baseados na distribuição ilegal de sinais pagos.
Se o crime é a sério, a pena também tem de ser.
Reconhecer os factos para reduzir a pena… e perder o direito a recurso
Outro detalhe importante é que esta condenação surge na sequência de uma sentença de conformidade. Ou seja, os arguidos reconheceram voluntariamente os factos e aceitaram a pena proposta pelo Ministério Público.
Isso permitiu uma redução substancial da pena, mas teve um custo. Não há possibilidade de recurso. A decisão é final.
Na prática, os próprios responsáveis admitiram que o serviço era ilegal e que lucravam com isso.
Um aviso claro para o resto da Europa, especialmente para Portugal.
Esta sentença marca um ponto de viragem claro na forma como a pirataria de IPTV está a ser tratada em Espanha. Porque, durante anos, a narrativa foi de impunidade… Tal e qual como foi por cá. Agora, passa a ser de risco real.
E sim, isto tem implicações diretas para outros mercados, incluindo Portugal. Não tanto para o utilizador final, mas sobretudo para quem vende, gere e lucra com serviços de IPTV ilegal como se fosse um negócio normal.
O jogo vai mudar nos próximos tempos. Mas… Como dissemos em cima, o risco apenas aumentou para quem vende, não para quem compra. Mas até isso vai mudar nos próximos meses. (Não esquecer que em Portugal querem negociar os direitos de TV da liga de futebol.)

