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Hidrogénio nos carros comuns? Não é assim tão simples

por Nuno Miguel Oliveira
16 de Maio, 2025
em Sem categoria
Tempo de leitura: 3 minutos de leitura
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toyota tem uma tecnologia que voltar a meter o hidrogénio no mapa!
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Como já deve ter percebido, com os carros elétricos a vender menos do que o previsto, o que por sua vez obrigou a Europa a recuar nas metas ambientais, começa a surgir novamente a conversa sobre o hidrogénio como alternativa viável para o setor automóvel.

Mas será que é mesmo?

A resposta curta? Nada mudou! Por isso, a não ser que algo de muito importante aconteça, o hidrogénio continua a ser uma miragem.

Há várias razões para isso.

  • Carros híbridos e elétricos consomem menos na cidade?

Os elétricos não pegaram como se esperava?

Comecemos pelo contexto!

Os carros elétricos estão cada vez mais comuns nas nossas estradas, porém, estão também a atravessar uma fase de estagnação. Ou seja, a procura arrefeceu, os preços continuam elevados, a infraestrutura de carregamento não cresce ao ritmo necessário e o entusiasmo inicial deu lugar a (ainda) mais desconfiança.

Perante isto, e com toda uma indústria automóvel com a corda na garganta, a União Europeia decidiu relaxar as metas de redução de emissões a partir de 2035, dando mais espaço às marcas para manterem motores a combustão… e alimentando a ideia de que há tempo para explorar outras tecnologias, como os combustíveis sintéticos, ou até o hidrogénio.

Como sempre, o hidrogénio parece promissor, mas…

o hidrogénio é o futuro? sim, mas só às vezes!

Na teoria, o hidrogénio tem tudo para ser a solução perfeita. Enche-se um depósito em minutos, tem grande autonomia e só liberta vapor de água.

Mas na prática, os problemas são muitos e complicados.

1. Produção e eficiência energética. Nem todo o hidrogénio é amigo do ambiente!

A maior parte do hidrogénio que se produz atualmente não é “verde”. Ou seja, vem do gás natural, ou de outros combustíveis fósseis, o por sua vez implica emissões poluentes. Porquê?

É simples! Porque produzir hidrogénio através de eletrólise com energia renovável (a forma verdadeiramente limpa) ainda é caro e ineficiente.

Para se ter uma ideia, transformar eletricidade em hidrogénio, armazená-lo, transportá-lo e depois convertê-lo novamente em eletricidade dentro do carro implica perdas energéticas gigantescas.

Aliás, um elétrico a bateria usa essa mesma eletricidade de forma muito mais direta e eficiente.

2. Falta de infraestruturas

Atualmente, a rede de abastecimento de hidrogénio na Europa é praticamente inexistente. Em Portugal, então, é quase um conceito teórico.

Construir uma infraestrutura segura e funcional custa milhares de milhões, e ninguém quer dar esse passo sem garantias de que há mercado. Isto porque além do custo de construir algo de raiz, o hidrogénio perde muito do seu potencial energético na cadeia de distribuição.

O problema? Sem rede, não há carros. Sem carros, não há rede. É um ciclo vicioso difícil de quebrar.

3. É melhor para camiões e aviões

O futuro do hidrogénio parece estar mais nos transportes pesados, onde o tempo de abastecimento e o peso das baterias são desvantagens sérias. Ou seja, para camiões, comboios, navios e até aviões, o hidrogénio pode vir a ter um papel crucial.

Para o carro que usamos todos os dias? Difícil.

Conclusão

A ideia do hidrogénio no automóvel comum continua a ser apelativa em manchetes e conferências. Mas, na realidade, está longe de ser uma alternativa prática ou sustentável.

Assim, entre a falta de rede, os custos elevados e a ineficiência energética, tudo indica que, para já, o futuro continua a passar pelos elétricos a bateria, nos automóveis a combustão com alguma eletrificação à mistura, ou quem sabe, uma mudança para os combustíveis sintéticos, que podem ser utilizados em qualquer motorização já existente.

Em suma, o setor automóvel vai mesmo ter de encontrar um caminho mais limpo. A pergunta é se o hidrogénio alguma vez fará parte desse caminho para o condutor comum.

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Nuno Miguel Oliveira

Nuno Miguel Oliveira

Desde muito novo que me interessei por computadores e tecnologia no geral, fui sempre aquele membro da família que servia como técnico ou reparador de tudo e alguma coisa (de borla). Agora tenho acesso a tudo o que é novo e incrível neste mundo 'tech'. Valeu a pena!

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