Durante anos, o óxido nitroso surgiu como aquela coisa dos balões em festas. Um efeito rápido, umas gargalhadas, e segue a noite. Só que em Portugal a história mudou e os números não deixam espaço para dúvidas. Segundo dados provisórios divulgados pela GNR, até 4 de março de 2025 foram apreendidas 1546 botijas de óxido nitroso destinadas a uso recreativo, mais 1339 do que em todo o ano de 2024 (207). Traduzindo: um aumento de 646% (quase 650%). E isto não é um fenómeno espalhado por todo o país… ainda. A própria GNR diz que as apreensões do gás do Riso estão concentradas em zonas específicas de Portugal, com registo mais significativo nos distritos do Porto, Faro, Setúbal e Lisboa.
Gás do riso dispara em Portugal: o que está a acontecer?
O óxido nitroso (N₂O) trata-se de um gás com usos legítimos (incluindo em contexto médico e alimentar), mas quando é inalado de forma recreativa produz sensações rápidas e curtas: euforia, relaxamento, desligar da realidade.
O problema é que a curta duração é precisamente a armadilha: como passa depressa, há quem repita… e repita… e repita. E quando isto se transforma em hábito (ou em noites de consumo intensivo), os riscos deixam de ser teóricos.

O risco real que muita gente ignora
A Sociedade Portuguesa de Neurologia já veio a público dizer que está a ver um aumento preocupante de intoxicações em jovens, com complicações que podem ser graves e incapacitantes: polineuropatias, mielopatia, e até alterações psiquiátricas e deterioração cognitiva.
E há um detalhe assustador: muitos jovens nem reconhecem isto como droga e reportam acesso fácil e generalizado.
Do ponto de vista médico, existe também um mecanismo muito conhecido: exposição prolongada pode levar a défice de vitamina B12, com formigueiros, dormência e fraqueza nos membros e pode deixar sequelas.
E há ainda o perigo estúpido, mas comum: o óxido nitroso pode causar hipoxia (falta de oxigénio) quando se inala e substitui o oxigénio nos pulmões, o que aumenta o risco de desmaios e acidentes.
Mas se é só um gás… porque é que a polícia está em cima disto?
Porque, além dos riscos de saúde, está a crescer fora do contexto permitido. Entretanto as autoridades estão a monitorizar a tendência há anos. A GNR aponta que as apreensões têm vindo a subir desde 2022.
E há outro ponto importante: a própria RTP refere que o óxido nitroso se incluiu em 2022 na lista de novas substâncias psicoativas proibidas. Isto no contexto de reforço de fiscalização e alertas também por parte da PSP.

Sinais de alerta para pais
Não é para entrar em pânico é para estar atento. Se notares padrões repetidos, isto já não é uma brincadeira:
- balões e cartuchos/botijas a aparecerem em festas, quartos, mochilas, carros;
- normalização do consumo como se fosse inofensivo;
- episódios de tonturas, quedas, desmaios, confusão;
- formigueiros/dormência nas mãos ou pés depois de noites de consumo (sinal para levar a sério).
Suspeita de intoxicação? O que fazer
Se alguém estiver mal (desmaio, confusão, dificuldades respiratórias), 112.
E em caso de suspeita de intoxicação, o CIAV (Centro de Informação Antivenenos do INEM) atende 24/7 na linha gratuita 800 250 250.

