A Dacia, que é inegavelmente uma das marcas favoritas dos condutores portugueses, está a preparar uma nova ofensiva para 2026 com motores novos, híbridização inédita e (ainda) mais equipamento.
Algo perfeitamente normal, porque é apenas o continuar de uma estratégia que tem estado a dar frutos. A Alpine é o topo, a Renault deu um salto qualitativo muito significativo, e de facto, a Dacia é cada vez menos a marca barata com compromissos para começar a ocupar uma posição que antigamente pertencia à marca principal.
Verdade seja dita, a Dacia tem apresentado uma evolução absurda ao longo dos últimos 2 a 3 anos, mas isso não significa que seja suficiente. É por isso mesmo que a Dacia vai mexer a sério na sua gama em 2026.
Não estamos a falar de um simples toques aqui e ali, que normalmente são conhecidos como “Facelift” no mundo automóvel. Estamos a falar de novos motores, novas soluções híbridas, mais equipamento de série e até uma evolução importante no elétrico mais acessível do mercado, o sempre popular Spring.
Um bocadinho em tom de brincadeira, se achas que ter um Dacia é só para a plebe, isso é cada vez menos verdade. Há aqui algumas novidades que merecem alguma (muita) atenção. Nós tivemos a oportunidade de conduzir todos os modelos em Nice (França), e a conclusão é de facto muito positiva.
Sandero, Stepway e Jogger ganham fôlego e tecnologia!
A marca entra em 2026 mais moderna e mais eficiente.
A grande novidade está no Jogger Hybrid 155, que passa a contar com um sistema híbrido mais potente e mais refinado. Agora o conjunto junta um motor a gasolina 1.8 com 109 cv a dois motores elétricos, uma bateria de 1.4 kWh e uma caixa automática elétrica sem embraiagem. O resultado são 155 cv e uma utilização muito mais suave em cidade, onde pode circular até 80% do tempo em modo elétrico.
Em termos práticos, isto significa menos consumo, menos emissões e um Jogger muito mais confortável no dia a dia.
GPL automático chega finalmente à gama!
Outra novidade importante é a chegada do Eco-G 120 com caixa automática ao Sandero, Stepway e Jogger.

Pela primeira vez, o GPL pode ser combinado com uma transmissão automática de dupla embraiagem, algo que muitos clientes pediam há anos.
Além disso, o motor 1.2 turbo sobe para 120 cv e passa a estar disponível com caixa manual ou automática de seis velocidades, esta última com patilhas no volante, outra estreia na marca.
A Dacia aproveitou ainda para aumentar a capacidade dos depósitos de GPL, o que se traduz em autonomias combinadas que podem ultrapassar os 1.500 km. Num país como Portugal, onde o GPL continua barato, isto não é um detalhe.
Design renovado e mais equipamento onde faz falta
Visualmente, Sandero, Stepway e Jogger recebem a nova assinatura luminosa em LED com o “T” invertido, que já começa a definir a identidade moderna da Dacia.


Há também a introdução do material Starkle, já visto no Duster, feito com plástico reciclado, sem pintura e mais resistente ao uso diário. É simples, mas faz sentido para quem usa o carro a sério todos os dias.

No interior, chegam opções como ecrã central de 10 polegadas, carregador sem fios, painel digital redesenhado e novos sistemas de assistência à condução, alinhados com as normas europeias mais recentes.
Duster e Bigster apostam num híbrido G 150 4×4 único
Aqui a Dacia joga uma cartada curiosa. O novo Hybrid-G 150 4×4 junta tração integral, sistema híbrido e GPL. Sim, tudo no mesmo carro.

O motor a gasolina trabalha no eixo dianteiro, enquanto o motor elétrico atua no eixo traseiro, criando uma solução 4×4 sem veio de transmissão. Isto permite tração elétrica até 140 km/h, melhor eficiência e menos perdas mecânicas.
Acima de tudo, o sistema promete consumos mais baixos, emissões reduzidas e custos de utilização significativamente inferiores face às versões 4×4 tradicionais. Para quem precisa de tração integral mas não quer pagar a fatura completa no combustível, é uma proposta muito interessante.
Entretanto, não esquecer que já andámos com esta motorização em Marrocos, onde o deserto não foi mais que uma brincadeira para a Dacia, nomeadamente para o Duster.
Spring evolui onde realmente precisava

O Spring também não ficou esquecido. Recebe uma nova bateria LFP de 24.3 kWh, reforços estruturais, melhor distribuição de peso e melhorias claras na estabilidade e travagem.
Chegam ainda motores mais potentes, até 100 cv, que tornam o Spring mais confortável fora da cidade e menos limitado em vias rápidas. A autonomia mantém-se nos 225 km WLTP, mas com melhor eficiência e menor consumo energético.
Não é um elétrico para longas viagens, mas continua a fazer sentido para quem anda pouco e quer gastar o mínimo possível.
Conclusão
A Dacia entra em 2026 com uma estratégia clara. Mais tecnologia, mais eficiência e soluções híbridas e GPL que fazem sentido na vida real. Não tenta ser premium, nem quer competir com quem vive de extras caros. Mas é cada vez mais um carro realista e que tem obrigatoriamente de chamar a atenção dos consumidores.
Mais concretamente, para um mercado como o nosso, onde o usado e importado reinam, optar por um Dacia novo começa a fazer todo o sentido.

