Isto não está muito relacionado com tecnologia, mas tem tudo a ver com a forma como as empresas fazem as coisas no nosso mercado, e não é só com produtos alimentares. Infelizmente, quando um produto aumenta de preço, seja qual for a razão, e muitas vezes até são razões que fazem todo o sentido, a realidade é que o preço já não volta ao normal depois da “crise”.
Um bom exemplo está no chocolate em Portugal. É hoje em dia completamente normal ver barras de chocolate que antes custavam 2€, muito perto dos 5€.
O cacau subiu, e de facto subiu muito… mas já desceu
É verdade que o preço do cacau disparou nos últimos anos. Os problemas do costume. Anos com más colheitas, problemas com o clima, especulação, contratos renovados, etc. O mercado esteve em máximos históricos. Mas também é verdade que, nos últimos meses, o preço já desceu bastante. Está hoje muito mais próximo dos valores de 2022 do que dos picos recentes.
Então porque é que o chocolate continua caro?
Aqui entram duas palavras importantes: contratos e margem.
Como é óbvio, a indústria não compra os materiais ao preço do dia. Usa contratos de futuros para garantir preços com meses de antecedência. Isso significa que a subida pode demorar a chegar às prateleiras, apesar de muitas vezes aparecer quase no imediato. Isto também afeta a descida.
Mas há outro detalhe que muitos utilizadores apontaram: quando o preço sobe, o retalho ajusta rapidamente. Quando desce, o consumidor já está “habituado” ao novo patamar.
De facto, se as vendas continuam fortes, não há grande incentivo para baixar.
“Porque podem”
Isto só acontece porque as pessoas continuam a comprar. Os preços da matéria-prima descem, o preço nas prateleiras continua o mesmo, mas as margens sobem brutalmente. Se o produto continua a vender e entra mais dinheiro, porquê descer o preço?
É tão simples quanto isso.
É tal e qual como nos smartphones. Se o iPhone vende a 1500€, porque haveria a Apple de baixar o preço? Se vende, é porque não está caro.








