O carregamento sem fios é uma comodidade que muitos de nós já não dispensam. No entanto, durante mais de uma década, o padrão Qi original permaneceu praticamente inalterado, limitado a uns penosos 5W de potência base. Embora revisões posteriores tenham introduzido o “Extended Power Profile” para chegar aos 15W, a experiência continuava muitas vezes marcada pela lentidão, aquecimento excessivo e baixa eficiência energética. Neste cenário, o carregamento sem fios parecia mais um incómodo do que uma solução. Felizmente, um novo padrão chegou para resolver estes problemas e está finalmente a tornar-se mainstream tanto no ecossistema iOS como no Android. Chama-se carregamento sem fios Qi2. Contudo, a situação não é tão simples quanto parece. Existem múltiplas variantes do padrão Qi2 com funcionalidades distintas, pelo que apenas procurar o logótipo Qi2 não é suficiente.
Carregamento sem fios Qi2 vs. Qi2 Ready: A Batalha dos Ímanes
A funcionalidade estrela do padrão Qi2 é a conetividade magnética. A Apple popularizou esta ideia com o MagSafe, garantindo o alinhamento perfeito entre o carregador e o dispositivo. A gigante de Cupertino “cedeu” generosamente essa tecnologia ao Wireless Power Consortium (WPC) para ser integrada na especificação Qi2. Inicialmente, pensava-se que todos os dispositivos Qi2 teriam ímanes internos, mas o WPC decidiu dividir as águas, criando duas categorias distintas: Qi2 e Qi2 Ready.

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O Verdadeiro Qi2 (com Ímanes)
Os telemóveis verdadeiramente Qi2 incluem ímanes internos. Isto é crucial porque garante o alinhamento perfeito com o carregador. Quando o alinhamento não é exato, perde-se imensa energia na transferência, o que leva ao sobreaquecimento do dispositivo e a um carregamento substancialmente mais lento. Dispositivos com Qi2, MagSafe (como os iPhones a partir da série 13) ou suporte Pixelsnap (como a série Google Pixel 10, excluindo o 10a) evitam esta armadilha ao eliminar as suposições no alinhamento graças aos ímanes.
O Qi2 Ready (sem Ímanes)
Por outro lado, o padrão Qi2 Ready destina-se a dispositivos que cumprem os requisitos técnicos de potência, mas não possuem ímanes de hardware. Por exemplo, a especificação base do Qi2 exige suporte para carregamento de 15W. Um telemóvel rotulado como Qi2 Ready suporta essa velocidade de 15W, mas falta-lhe a precisão do alinhamento magnético.
Um exemplo prático desta distinção é a série Samsung Galaxy S26, cujos modelos são Qi2 Ready, suportam a potência do Qi2, mas não têm os ímanes. Para beneficiares do alinhamento perfeito e do vasto ecossistema de acessórios MagSafe nestes dispositivos, precisas de uma capa compatível ou de um anel adesivo MagSafe.

Qi2 é bom, mas o Qi2 25W é ainda melhor!
As diferenças não ficam por aqui. No ano passado, o WPC lançou o Qi2.2, comercializado sob a marca Qi2 25W. Como o nome indica, esta variante eleva a potência máxima de carregamento sem fios para os 25W, ou seja, 10W mais rápido que a especificação Qi2 base. Para atingires estas velocidades, tanto o smartphone como o carregador precisam de suportar Qi2 25W.
Os benefícios são reais: um carregador Belkin Qi2 25W, por exemplo, consegue carregar um telemóvel compatível até 50% em apenas 30 minutos. Os iPhones têm o melhor suporte para esta tecnologia, com a série iPhone 17 a suportar Qi2 25W de fábrica, e a série iPhone 16 a receber este suporte através da atualização para o iOS 26. No mundo Android, apenas o Samsung Galaxy S26 Ultra e o Google Pixel 10 Pro XL suportam esta velocidade ultra-rápida entre os novos flagships.
Por que o Qi2 25W nem sempre é necessário?
Embora o Qi2 25W pareça tentador, pode não ser um investimento essencial para todos. Em suma, isto deve-se a um fator crucial: o aquecimento. Sem arrefecimento ativo (como ventoinhas no carregador), os dispositivos não conseguem manter os 25W por muito tempo. Normalmente, esta velocidade máxima só é atingida no início do ciclo de carregamento. À medida que o telemóvel aquece ou a bateria enche, a velocidade abranda automaticamente. Pagar mais por um carregador caro que só funciona à potência máxima durante alguns minutos pode não valer a pena.

O “Sweet Spot” Magnético
Portanto, embora atualizar para um carregador Qi2 25W seja uma forma de preparar o teu ecossistema para o futuro (já que são retrocompatíveis), o verdadeiro “ponto de equilíbrio” está na especificação Qi2 magnética base. Ela eleva o requisito mínimo de velocidade para uns respeitáveis 15W e adiciona os ímanes cruciais. Ao escolheres um smartphone com suporte Qi2 autêntico, garantes um carregamento mais rápido, eficiente e acesso ao robusto ecossistema de acessórios MagSafe. Afinal de contas, o carregamento sem fios finalmente vale a pena, desde que saibas exatamente o que procurar!





