Análise – Resident Evil 8: Village (PlayStation 5)

“Welcome back stranger, i’ve got some new things on sale.” Isto foi o que a voz na minha cabeça disse quando vi finalmente o Resident Evil 8 em pré-venda (sim, a voz na minha cabeça é o Mercador do RE4, não perguntem porquê… Há coisas que não se questionam!).



Análise – Resident Evil 8: Village (PlayStation 5)

Portanto, é inegável que a Capcom teve algumas dificuldades ao longo dos anos no que toca ao equilibro entre a ação e o terror nesta saga de jogos, começando com os clássicos survival horror (RE1, RE2, RE3, Code Veronica…) e posteriormente mudando completamente a fórmula com o inovador RE4 (que curiosamente foi capaz de mudar o panorama do mundo do gaming).

Entretanto, desde essa quarta entrada, que a série se foi focando cada vez mais em ação e menos no terror! Culminando no RE6, que, enquanto um excelente jogo de ação, metia tudo menos medo.

Curiosamente, para não alienar antigos fãs da séries que já não se identificavam com esta nova ação hollywoodesca. A Capcom decidiu voltar às suas raízes de terror com RE7. Apesar de ter sido um jogo que foi recebido de braços abertos, a meu ver, deu um passo demasiado grande atrás no departamento da ação.

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Será que é RE8 que vai finalmente alcançar o tão aguardado equilibro entre a ação e aquele sentimento clássico de survival horror? Vamos descobrir a resposta com esta análise, patrocinada pela farmacêutica Umbrella Corporation.

História

Depois de um pequeno resumo do que aconteceu em RE7, temos um salto temporal de 3 anos, com Ethan, Mia e Rose (a filha recém nascida do casal) a começar a sua nova vida na Europa com a ajuda de Chris Redfield. Tudo na esperança de esquecer os eventos de Luisiana e da família Baker.

Infelizmente, é uma tarefa que rapidamente se mostra impossível. Afinal, há coisas que se recusam a ficar enterradas no passado. Assim, com a sua família em risco, cabe a Ethan enfrentar novamente os horrores do legado da Umbrella e garantir a sua salvação e a daqueles que mais ama.

Enfrentando o frio daquilo que presumimos ser uma localidade algures na Europa de leste, Ethan terá de percorrer desde aldeias infetadas e masmorras sombrias, a castelos incríveis (claramente inspirando-se bastante em RE4).

Dito tudo isto, onde RE8 não brilha da mesma forma é sem dúvida nos bosses. Afinal, como disse no início desta review, RE7 tomou uma abordagem mais próxima doutros jogos como Amnesia, em que o foco não está propriamente em matar inimigos mas sim em fazer-nos sentir impotentes enquanto fugimos de um terror que não conseguimos derrotar.

Esta abordagem fez com que os bosses que existiam em RE7 tivessem um foco/envolvimento maior na jogabilidade e história. Ao perseguir o jogador durante grande parte da experiência. (O que inegavelmente irrita alguns jogadores.)

Assim, o facto de RE8 criar um maior equilibro entre ação e terror, faz com que os bosses não sejam tão memoráveis. No entanto, isto é compensado pela maior variedade e frequência de inimigos entre os mesmos.

Gameplay

Aqui temos boas notícias! Afinal de contas, posso dizer com alegria que RE8 vem resolver todos os problemas que eu tinha com RE7 relativamente ao corte brutal na quantidade de ação e de diversidade de inimigos.

Ou seja, enquanto em RE7 existiam apenas 3 tipos de inimigos (sem contar com os bosses) que eram praticamente iguais uns aos outros, RE8 abriu as portas à imaginação com umas claras inspirações Transilvânicas que trazem outra vida a um setting que já por si é bem mais misterioso e interessante.

Relativamente às mecânicas de combate, estas são mais fluidas e refinadas que no título anterior. O que é muito importante, pois os encontros com inimigos são muito mais frequentes. É um sistema que capaz de fazer com que o jogo não se torne repetitivo, ao mesmo tempo que não prejudica aquele que é muito provavelmente o elemento mais importante… O terror.

Além de tudo isto, temos ainda o regresso de algo muito importante, pelo menos para mim, que ando à espera disto há 16 anos (desde RE4). O “regresso” do Mercador! Apesar de não ser a mesma personagem, o papel é idêntico. Assim, podemos comprar e até modificar armas para se adaptarem melhor à nossa forma de jogar.

Gráficos/performance

Quanto aos gráficos, tudo indica que a Capcom fez um trabalho excelente em todas as plataformas. Afinal de contas, temos aqui um jogo que já nos dá um ‘cheirinho’ daquilo que a PS5 e Xbox Series X são capazes de oferecer, ao mesmo tempo que não esquece as consolas mais velhinhas! Com a PS4 e Xbox One ‘Base’ a oferecerem uma performance muito satisfatória tendo em conta a sua idade e qualidade gráfica pura e dura de RE8.

Quanto à versão para a PS5, as texturas são simplesmente brutais, com uma implementação muito interessante e não demasiado pesada do muito desejado Ray-Tracing. Especialmente nas personagem mais memoráveis como a muito popular Lady Dimitrescu. (She’s a Thicc girl!) No entanto, é inegável que os ambientes apesar de assustadores, são um pouco repetitivos. Especialmente quando estamos a andar pela aldeia nas redondezas do castelo.

Conclusão

Em suma, posso dizer de coração cheio, que RE8 é o melhor jogo que tive o prazer de analisar este ano. Demorou 16 anos, mas a Capcom finalmente acertou em cheio no equilibro entre a ação/terror, criando uma experiência única, ao conseguir fazer-me regressar à minha infância.

Desde um setting fantástico, com segredos escondidos em todas as esquinas, a inimigos intimidantes prontos a matar o jogador a qualquer momento… Curiosamente, das formas mais variadas…

Ou seja, temos um aproveitamento das ideias de RE7! Onde para mim, a única falha está nos bosses, pelas razões já mencionadas. Assim, RE8 é um must buy para qualquer fã de survival horror, ação, terror e fãs de mitologia da Roménia (vampiros, lobisomens, etc…).

Deixo-vos assim com esta conclusão. Entretanto, tenho a minha vacinação marcada para hoje à tarde. Uma vacina com um logo vermelho bem conhecido… Não sabia que a Umbrella tinha criado a sua própria vacina, acredito que seja incrível. Desejem-me sorte.


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Gonçalo Henriques
Lembro-me de ser miúdo e passar os meus dias a jogar NES/PS1, acho que até aí já sabia que iria ser gamer para o resto da vida. Agora quero partilhar este meu interesse com todos os que estejam interessados em ouvir um geek a falar da sua paixão.

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