Há produtos que são feitos para durar. E há produtos que são feitos para te manter dentro de um ecossistema durante o maior tempo possível. É precisamente aqui que começa a guerra entre a Framework e Apple com o novo MacBook Neo.
Ou seja, o CEO da Framework veio a público dizer algo que, dito assim, até parece óbvio. “Um computador devia ser teu.” O que significa isto?
Framework ataca o MacBook Neo onde a Apple nunca quis jogar
A Framework acredita numa ideia quase radical para os tempos que correm. Se compras um portátil, ele devia ser teu a sério. Devias conseguir abrir, trocar peças, atualizar componentes, reparar problemas e prolongar a vida útil sem depender de uma cadeia fechada, de decisões da marca ou de um produto inteiro novo daqui a dois ou três anos.
A Apple, como toda a gente sabe, vê a coisa de outra forma.
O MacBook Neo pode ser reparável. Mas continua a ser Apple até ao osso!
O MacBook Neo até pode ser o portátil Apple mais simpático à reparação em muitos anos. E isso, por si só, já é notícia. O problema é que ser “mais reparável do que o habitual” dentro da Apple não significa automaticamente ser um produto aberto, modular ou verdadeiramente pensado para durar nas mãos do utilizador mais exigente.
Nenhum produto é pensado para ser atualizado. Continua a haver limites. No fundo, continua a haver uma estrutura montada para te dar uma experiência muito controlada, muito polida, muito Apple.
E é precisamente isso que a Framework está a atacar.
A crítica faz sentido. Mas também não conta a história toda
Ao mesmo tempo, também convém não cair no exagero fácil. Porque a verdade é que a Apple e a Framework não estão propriamente a vender a mesma coisa ao mesmo tipo de pessoa.
Quem compra um Framework quer quase sempre mexer, trocar, prolongar, adaptar e controlar. Quem compra um MacBook Neo quer, na esmagadora maioria dos casos, abrir a tampa e trabalhar.
Aliás, a grande realidade é que a maioria das pessoas não quer trabalho, nem quer aprender ou estudar sobre hardware e especificações técnicas. É por isso que a Apple vende para todos, e a Framework vende para um nicho.
Mas, a crítica tem o seu valor, e mostra de facto a diferença entre as duas estratégias. Mas, a realidade é que a Apple tem muito mais sucesso. Aliás, este é o grande trunfo da Apple há anos. Fazer máquinas que, mesmo fechadas, fazem sentido para muita gente durante muito tempo.
Conclusão
O CEO da Framework tem razão numa parte importante da conversa. Um computador devia ser mais teu do que aquilo que muitas marcas permitem hoje. Devia ser mais fácil de abrir, reparar, atualizar e manter vivo durante mais anos.
Mas isso não muda o essencial. O MacBook Neo continua a ser um produto muito bem pensado para o tipo de utilizador que não quer saber de modularidade, de motherboards trocáveis ou de upgrades caseiros. Quer apenas um portátil bom, bonito, relativamente barato e que funcione.









