Se costumas olhar para o céu noturno, provavelmente já notaste o desfile de luzes artificiais a cruzar a escuridão. Atualmente, existem mais de 10 mil satélites Starlink em órbita, afetando até as imagens captadas por telescópios de investigação. No entanto, a SpaceX anunciou recentemente um plano muito mais ambicioso e que está a deixar a comunidade científica em estado de choque: o lançamento de mais um milhão de satélites para funcionarem como centros de dados orbitais dedicados ao processamento de Inteligência Artificial. Pode ser o adeus às estrelas no céu. Estão lá mas não as vês.
Mais satélites do que estrelas no teu céu
Além disso, as previsões relativas ao impacto visual são verdadeiramente alarmantes. Há alguns anos, estudos indicavam que com 65 mil satélites em órbita, um em cada quinze pontos luminosos no céu noturno seria artificial. Consequentemente, com a introdução de um milhão de unidades, a situação atinge proporções inimagináveis.
Adicionalmente, o olho humano consegue ver menos de 4500 estrelas num céu sem poluição luminosa. Desta forma, se este projeto avançar, vais passar a ver muito mais satélites do que estrelas verdadeiras em grande parte da noite e em praticamente todo o mundo. A poluição visual será permanente e global.
O Mito da Solução Ecológica e os Perigos Reais
Por outro lado, a justificação da SpaceX baseia-se na premissa de que os centros de dados terrestres consomem quantidades insustentáveis de água e eletricidade. A empresa sugere que enviar toda esta infraestrutura para o espaço é uma solução melhor para o ambiente. Contudo, esta visão ignora por completo os severos danos colaterais associados às operações espaciais:
Poluição Atmosférica: A queima de satélites na reentrada altera a composição da nossa atmosfera de formas que os cientistas ainda não compreendem totalmente.
Detritos Perigosos: Múltiplos aparelhos caem diariamente. Aqueles que não ardem na totalidade representam um risco real de danos materiais, ferimentos ou até morte quando atingem o solo.
Risco de Colisão: O aumento drástico da densidade orbital multiplica a probabilidade de acidentes catastróficos no espaço.
O desafio tecnológico e a falta de respostas
Paralelamente, a tecnologia necessária para operar centros de dados orbitais de forma segura pode ainda não existir. A dispersão de enormes quantidades de calor no vácuo espacial é um desafio monumental. A própria SpaceX sentiu isto na pele quando tentou criar satélites escuros para mitigar o brilho visual e acabou por fritar os componentes eletrónicos devido ao sobreaquecimento.
Finalmente, apesar de a proposta entregue aos reguladores norte-americanos ser incrivelmente vaga, carecendo de detalhes sobre as órbitas exatas, o tamanho dos aparelhos ou as tecnologias de arrefecimento, o período de comentários públicos foi aberto em tempo recorde. Assim sendo, os astrónomos tiveram de se apressar para contestar a medida, sentindo que todo o esforço anterior de colaboração para escurecer os equipamentos originais foi completamente ignorado.
Em suma, o espaço orbital da Terra é um recurso estritamente finito. Portanto, muitos especialistas defendem que não se pode permitir que uma única corporação destrua o céu noturno, a atmosfera e a segurança global em prol do avanço desenfreado da computação para inteligência artificial.









