A internet é um terreno extremamente fértil para a propagação rápida de informações alarmantes. Isto especialmente quando envolvem relatórios médicos complexos libertados por ordem de um tribunal. Efetivamente, anda a circular uma publicação viral nas redes sociais que afirma categoricamente que o Hantavírus é um efeito adverso documentado e comprovado da vacina contra a COVID-19 da Pfizer. Por isso, e porque a publicação até inclui um link válido para o documento oficial de farmacovigilância, é perfeitamente normal que fiques assustado ou confuso ao leres estas alegações alarmistas. De facto, a linguagem técnica farmacêutica pode facilmente induzir em erro quem não tem formação na área. No entanto estamos aqui para te explicar a verdade de forma simples, direta e baseada na ciência. Então a vacina da COVID-19 pode causar Hantavírus ou não?
Vacina da COVID-19 pode causar Hantavírus? A impossibilidade biológica do contágio
Antes de mais, precisamos de recorrer à biologia básica para desmontar esta teoria de forma muito clara. Neste sentido, o Hantavírus é um vírus estritamente zoonótico. Isto significa que a doença é transmitida exclusivamente aos humanos através do contacto direto com roedores infetados. Ou então pela inalação de partículas provenientes das suas fezes e urina. Como resultado, é biologicamente impossível que uma vacina baseada em tecnologia de RNA mensageiro crie de forma espontânea ou transmita um vírus de ratos para o teu organismo. Adicionalmente, afirmar que uma vacina laboratorial gera uma doença animal denota uma confusão total dos conceitos mais básicos da virologia.

O que diz afinal o relatório da Pfizer?
O grande pilar desta teoria da conspiração é a má interpretação crónica de um anexo presente no documento técnico sobre a experiência pós-comercialização da vacina. Por outro lado, a lista gigantesca de doenças que aparece nas páginas finais desse ficheiro não é, de todo, um catálogo de reações adversas confirmadas ou causadas pela injeção. Desta forma, essa tabela representa apenas os chamados eventos adversos de especial interesse. Paralelamente, isto significa na prática que se trata de uma lista de vigilância médica padrão. Foi criada para monitorizar de perto as pessoas vacinadas e garantir que não existem ligações anormais com doenças preexistentes ou coincidentes.
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Ainda neste seguimento, confundir a simples ocorrência temporal de um evento de saúde com a causalidade direta da vacina é o maior erro lógico de quem espalha este tipo de pânico online. Neste contexto, as autoridades de saúde listam dezenas de doenças. São exemplo disso o próprio Hantavírus ou a meningite, para instruir os cientistas sobre o que devem procurar ativamente na população em geral, com o objetivo de provar exatamente que a vacina não tem qualquer influência nelas. Consequentemente, se todas as doenças assustadoras desse anexo fossem efeitos secundários reais provocados pela inoculação, grande parte da população mundial já não estaria entre nós. Em suma, o documento serve exclusivamente para garantir a tua segurança a longo prazo e não para confessar a criação escondida de novas patologias.
O Veredito Final
Não precisas de entrar em pânico nem de acreditar em teorias infundadas sobre a disseminação intencional de novos vírus através de tratamentos médicos preventivos. Por conseguinte, a alegação de que a vacina da Pfizer provoca infeção por Hantavírus é totalmente falsa e baseia-se numa leitura profundamente errada e ignorante de um protocolo normal de monitorização científica.
Acima de tudo, torna-se crucial manteres o teu espírito crítico apurado e verificares sempre o contexto das fontes antes de partilhares publicações dramáticas com a tua família e os teus amigos. Por fim, a ciência desmascara facilmente esta ilusão temporal, provando que a ligação sugerida entre a vacina e as doenças transmitidas por roedores não passa de uma enorme falácia da internet.





