Estamos em 2026 e é, de facto, muito comum dizer que a tecnologia está extremamente estagnada. Sim, continuam a existir lançamentos todos os anos, mas as diferenças entre gerações são, por vezes, risíveis. Dito isto, é também fascinante olhar para trás e ver como o hype consegue cegar-nos. Porque existiram várias promessas interessantes que podiam ter mudado o jogo no mundo dos smartphones.
A tecnologia que “morreu na praia”: Ainda te Lembras?
Ainda te lembras do Project Ara? Não foi o único a prometer uma revolução modular, mas foi alvo de um hype quase absurdo. Sim, tivemos tentativas como o LG G5, que também tentou essa abordagem e acabou por ser um dos maiores “flops” da marca, e até pode ter sido uma das maiores razões pelas quais a gigante coreana abandonou o mundo dos smartphones.
Mas sabes por que é que tudo falhou? No final do dia, percebemos que o consumidor prefere um smartphone selado, fino e resistente à água do que um puzzle que se desmancha na primeira queda. Ou seja, a conveniência e o design acabaram por matar a modularidade antes mesmo de ela ter uma hipótese real no mercado de massa.
O mesmo aconteceu com o Google Glass (mais ou menos).
O problema não foi a tecnologia em si, mas sim a aceitação social. Ninguém queria estar ao lado de alguém que podia estar a gravar tudo o que via sem qualquer aviso. A privacidade e a estética pesaram mais do que a utilidade de ter notificações projetadas na retina. Aliás, é curioso ver como, agora em 2026, marcas como a Apple e a Meta estão a tentar reintroduzir estes conceitos de forma muito mais polida, mas o estigma daqueles primeiros “Glassholes” (como lhes chamavam na altura) ainda paira no ar.
O ciclo da “Próxima Grande Coisa”?
Isto faz-nos pensar no que é que estamos a usar hoje que pode sofrer o mesmo destino. Lembras-te da loucura do Metaverso ou dos NFTs há uns anos? Parecia que o mundo ia passar a viver dentro de um servidor, e hoje essas palavras são quase proibidas em reuniões de marketing.
É curioso, mas a tecnologia tem, de facto, este hábito cruel de criar bolhas de entusiasmo absurdo que, quando rebentam, não deixam nem o eco. O segredo está em saber distinguir o que é uma ferramenta útil do que é apenas um “brinquedo” caro que tenta resolver problemas que não existem.
No fundo, o cemitério da tecnologia está cheio de boas ideias que falharam na execução ou no timing. O Project Ara e o Google Glass foram pioneiros, mas pagaram o preço de serem os primeiros a tentar mudar comportamentos que o público ainda não estava pronto para mudar. O mesmo pode ser dito acerca dos smartphones dobráveis, que são, de facto, um produto real, mas que continuam a ficar muito aquém daquilo que o mercado realmente esperava do formato.
Conclusão: O que é que se segue no cemitério?
A tecnologia evolui por tentativa e erro. Para termos um MacBook Neo ou um OPPO Find X9 Ultra hoje, muitos “Frankensteins” tiveram de morrer pelo caminho. É o preço do progresso. Mas é sempre bom manter um olhar crítico sobre as promessas de “revolução total” que nos tentam vender todos os dias.
Às vezes, a verdadeira revolução não é o que brilha mais, mas o que acaba por ficar no nosso bolso sem dar problemas.








