O iPhone Fold ainda não é um produto real disponível nas nossas prateleiras, mas nos bastidores já há sinais claros de que algo grande está a mexer. E curiosamente, quem parece mais entusiasmada com isso não é a Apple. É a Samsung.
A Samsung Display já está a investir a pensar na Apple
De acordo com informações vindas da Coreia do Sul, a Samsung Display está a ponderar reforçar de forma significativa o investimento em equipamento para ecrãs OLED dobráveis na sua fábrica A4, localizada em Asan. O objetivo é muito óbvio… Preparar capacidade produtiva para mais do que um iPhone dobrável.
Neste momento, a Samsung Display já tem uma linha dedicada na fábrica A3 para produzir painéis flexíveis destinados ao futuro iPhone Fold, aquele modelo em formato livro, mais largo, que deverá chegar ainda este ano. Essa linha consegue produzir até 15 milhões de painéis por ano, o que já não é pouco.
Mas parece que não vai chegar.
O iPhone Fold vem aí. Mas não vem sozinho…
A Apple deverá estrear o seu primeiro dobrável ainda em 2026, com um formato tipo passaporte em vez de livro, ecrã interno a rondar as 7.7 polegadas e um painel exterior mais compacto. Será um produto claramente premium, caro, e pensado para mostrar tecnologia.
O problema é que esse tipo de produto, sozinho, não cria mercado. É preciso mais!
É aqui que entra o chamado iPhone Flip. Um dobrável em formato concha, mais pequeno, mais simples e, sobretudo, mais barato. Exatamente o tipo de produto que pode vender em volume.
E a Samsung sabe disso.
O reforço de investimento na fábrica A4, com mais equipamento relacionado com backplanes e transístores TFT, aponta para um cenário onde a Apple passa a ter dois dobráveis em simultâneo no mercado. Um topo de gama e outro mais acessível.
A ironia que nunca desaparece?
Há aqui um detalhe delicioso. A Samsung, que criou o mercado dos dobráveis Android, pode vir a ser uma das grandes beneficiadas pelo sucesso dos dobráveis da Apple. A Apple continua sem capacidade própria para produzir ecrãs OLED em grande escala. Precisa da Samsung. E vai precisar ainda mais se decidir lançar um Flip em volume.
Ou seja, cada iPhone dobrável vendido é também uma vitória indireta para a Samsung Display. Isto significa que a Samsung continua a ganhar muito dinheiro com as suas rivais, talvez até mais do que com os seus próprios aparelhos Android.
O Flip faz muito mais sentido do que o Fold?
Eu não concordo com esta ideia. Mas, da mesma forma que os modelos Flip da Samsung sempre venderam mais que os Fold, o mesmo pode acontecer no lado da Apple.
Isto significa que o iPhone Fold vai existir porque tem de existir. Para mostrar músculo tecnológico, para calar críticas e para marcar posição. Depois temos o iPhone Flip mais compacto, e muitíssimo mais barato, a puxar pelo volume.


