Xpeng G9 – Se ainda achas que os carros chineses são cópias baratas com software duvidoso, esquece essa ideia. Podem ter sido no passado, mas como seria de esperar, da mesma forma que o “made in China” também já não tem, de todo, uma conotação negativa, os carros da Xpeng também são tudo menos isso.
Isto porque a marca oferece produtos extremamente premium, capazes de meter as tradicionais marcas alemãs em sentido. Ou seja, se o G6 já é um carro impressionante, o novo Xpeng G9 Performance é a prova viva de que a curva de aprendizagem na China não é uma curva, é uma reta que teima em ser vertical.


Ou seja, em apenas um ano e meio, a Xpeng pegou num SUV que já era interessante e transformou-o num “monstro” que humilha completamente vários carros mais caros no carregamento, e de facto, também na qualidade de construção e conforto.
A grande questão aqui é… vale a pena dar quase 80 mil euros por um SUV de uma marca que muitos ainda nem sabem pronunciar? Vamos tentar perceber
Carregamento: É um absurdo. Mas…
Antes de mais nada, temos de ir à parte mais importante de um elétrico. A bateria. Todos nós sabemos que a autonomia de um destes carros ainda não está ao nível de um carro a combustão. A verdade é que não está. Por isso, a Xpeng ataca o problema da forma que sabe fazer melhor. Isto significa carregamentos ultra-rápidos.
Mais concretamente, o Xpeng G9 utiliza uma arquitetura de 800V e o que a marca chama de “bateria 5C”. No papel, suporta até 525 kW de potência de carregamento. O que é pura e simplesmente incrível. Mas claro que, a vida real, onde a maioria dos postos não chega sequer aos 150kW, isto é uma coisa gira de se dizer, e difícil de se fazer. Mas, onde fores carregar, a realidade é que o G9 espreme o posto ao máximo.
Na minha terra, no posto mais rápido (150kW), o G9 foi aos 149kW sem grandes dificuldades, e manteve-se nessa velocidade bem acima dos 80%. Fantástico. Em carregadores mais rápidos, que lentamente vão aparecendo em Portugal, mal tens tempo para ir beber café.
A “magia” das baterias LFP?
Uma das grandes mudanças neste, e em muitos outros elétricos, é a introdução de bateria LFP (Lítio-Ferro-Fosfato). Porquê? Bem, antigamente, estas baterias eram mais pesadas e menos densas, mas a Xpeng conseguiu manter a capacidade (92.2 kWh líquidos) sem usar cobalto ou níquel.
- Vantagem: São baterias muito mais robustas, aguentam mais ciclos de carga e são menos propensas a incêndios.
- Performance no frio: Mesmo a -2 graus, a gestão térmica da Xpeng brilhou, conseguindo carregar a potências elevadas onde outros elétricos simplesmente “congelam”.
Luxo que envergonha os “Premium” europeus?
Isto é importante. O G9 é um carro que humilha muitos automóveis Premium europeus. É luxo puro! Estamos a falar de um sistema de som incrível com Dolby Atom, pele Nappa, massagens em TODOS os assentos, etc… Além disso, apesar de tudo isto, temos um arraque dos 0 aos 100 km/h em apenas 4.2 segundos. É luxo sim, mas também temos umas quantas gotas de performance pura.
Software? Há coisas boas e coisas más.
O sistema de condução autónoma foi afinado e já não tem aqueles sustos de travagem fantasma. É agora bastante mais eficiente e inteligente. Além disso, os ecrãs que comandam tudo neste carro contam agora com menus bastante mais simplificados e diretos. Claro que gostava de ter botões ao meu dispor, mas não sendo possível, também não me importava que todos os elétricos que apostam forte e feio em ecrãs fossem assim.
Sim, ainda existem erros de tradução, mas cada vez mais raros. No fundo, dores de crescimento que eventualmente vão desaparecer.
Consumo?
Ele promete cerca de 600 quilómetros, o que é ambicioso, especialmente em percursos mistos. Estamos a falar de um carro pesadíssimo, e como tal, os consumos em autoestrada andam quase sempre à volta dos 25kWh por cada 100 quilómetros percorridos.
Ainda assim, com todo o luxo e conforto, é fácil fazer uma viagem longa. Até porque vais encontrar carregadores super rápidos em quase todas as autoestradas.
Como é a condução?
Como dissemos em cima, não é um carro leve, estamos a falar de mais ou menos 2500kg em cima do asfalto. Por isso, apesar de bastante potência, e de uma aceleração que te vai fazer um friozinho na barriga, não é um automóvel dinâmico. Aliás, raro é o elétrico que apresenta grande dinâmica na estrada, e como seria de esperar, este G9 não é diferente.
O foco aqui é outro. Não é um elétrico com as mangas arregaçadas. A ideia é ser confortável, grande, confiável, e diferente de tudo o resto que poderás encontrar nas estradas portuguesas. É claramente um carro para andar com calma, e não para encostar o pedal à chapa.
Conclusão: Vale o dinheiro?
Há aqui uma coisa interessante. O Xpeng G9 não é um carro barato. Porém, comparativamente aos rivais diretos, é mais barato. Ou seja, é sempre aquele velho tema de comprar um carro chinês premium como se fosse um “negócio da China”, porque ainda existe a ideia de que um carro destes tem de ser bom e barato, ou pelo menos mais barato face à concorrência.
Mas, a Xpeng não está apenas a competir no preço. Há mesmo muita coisa boa neste automóvel. Ou melhor, muita coisa que é superior ao que já existe nas gamas de marcas teoricamente mais famosas e mais premium.












