A Apple vai-se meter no mundo dos dobráveis, num “finalmente” que estava mais do que anunciado há vários anos. Mas, como sempre, apesar de não revolucionar nada, tudo indica que a gigante norte-americana quer fazer as coisas à sua maneira. Por isso, o seu iPhone Ultra (Fold) vai aparecer num formato bastante diferente face ao que já conhecemos no lado Fold da coisa.
Ou seja, enquanto o Samsung Galaxy Z Fold 7, o dobrável bandeira do mundo mobile, chega ao mercado com um ecrã interno de 8” num formato muito “quadrado”, o iPhone Ultra (Fold) deve chegar com um ecrã de 7.76” num formato mais próprio de um tablet, neste caso… um iPad Mini.
O que, claro está, também significa que o iPhone dobrável, quando fechado, vai apresentar um formato bastante diferente daquilo que achamos ser o tradicional. Ao aparecer mais baixo e mais largo. Pode até ser ligeiramente mais grosso.
O que levanta uma questão… Porquê todas estas diferenças?



No final do dia, é muito fácil de perceber. Todos os smartphones Fold lançados até aqui… são terríveis.
Sim, apesar de algumas fragilidades em alguns pontos críticos como a dobradiça e o ecrã de plásticos, tecnicamente são interessantes.
Afinal de contas, ter no bolso um telemóvel que se transforma num tablet é obviamente incrível para qualquer fã de tecnologia. Isto é inegável. Mas, se formos mesmo muito honestos, apesar de todas as melhorias ao longo destes quase 10 anos, e são mais do que muitas, porque caso não te lembres, os dobráveis nem se fechavam a 100% nas primeiras gerações… A realidade é que o formato é francamente mau. É mesmo muito estranho de se usar no dia-a-dia.
Ou seja, a grande maioria dos smartphones do tipo Fold são muito altos e esguios, o que dificulta o uso com apenas uma mão enquanto fechados. Por sua vez, quando abertos, o formato também não é o melhor para aquilo que é o uso primário de um tablet, que é ver séries e filmes. Sim, temos mais espaço, mas esse espaço extra é quase sempre preenchido por barras pretas em cima e em baixo do conteúdo que de facto queremos ver.
É por isso que a Apple quer transformar um iPhone num iPad. Sim, enquanto fechado vai ser um smartphone menos alto, mas ainda assim perfeitamente usável com uma mão. E, enquanto aberto, vai ter o formato de um iPad Mini, que é um produto real, com centenas ou até milhares de aplicações já adaptadas ao formato. E aqui, na otimização das apps, temos de incluir todas as focadas no conteúdo multimédia.
No fundo, a Apple parece estar a atacar exatamente os dois maiores problemas do formato Fold atual: a má utilização como smartphone e a experiência pouco convincente como tablet.
Pode correr mal?
Claro que pode. Os Fold e Flips se calhar falham em vender a sério porque não há mesmo mercado para o formato, e como a Apple também gosta de dinheiro, o iPhone Ultra (Fold) pode vir a ser outro dispositivo interessante, mas completamente desenquadrado daquilo que é um smartphone para o dia-a-dia, tanto em design como em preço.
Mas… pelo menos está a tentar fazer algo de diferente. Aliás, as rivais até acham que a Apple tem razão. Caso contrário não tínhamos uma Samsung a preparar um Fold Wide, e uma Huawei que lançou um outro Fold similar ao iPhone antes do lançamento oficial da grande aposta da gigante americana.
Ou seja, mesmo antes de existir, o iPhone dobrável já está a influenciar o mercado. E isso, só por si, diz muito sobre o peso da Apple neste segmento.










