Nos últimos dias, começou a ganhar força a ideia de que a PlayStation 6 pode oferecer um salto de 10 vezes no desempenho de ray tracing face à PS5 original de 2020. Parece um absurdo? Óbvio que sim. Porque é.
Sim, a Sony pode estar a preparar uma consola muito mais forte no ray tracing. Mas isso não significa, nem de perto nem de longe, que os jogos vão correr com 10 vezes mais frames por segundo.
O problema está na forma como muita gente anda a ler os documentos?

Sim, existem vários documentos com números reais daquilo que a Sony vai ser capaz de oferecer na sua consola de nova geração.
Mas, segundo KeplerL2, há muita malta a interpretar mal aquilo que aparece em documentos ligados à AMD e ao projeto da próxima consola da Sony. A lógica é simples. Se a PS6 tiver 10 vezes mais desempenho em ray tracing, então um jogo que corre a 30 FPS na PS5 passa automaticamente para 300 FPS.
Claro que isso não faz sentido nenhum. Até porque não faria sentido para uma consola de nova geração, nos tempos que correm, aparecer com um salto de performance deste tamanho. Especialmente agora que se falam de preços completamente absurdos.
Uma consola tem de ser focada na qualidade-preço, sem tirar nem por.
Além disso, o ray tracing é apenas uma parte do trabalho que a consola tem de fazer em cada frame. Temos a iluminação, há geometria, há física, e também há rasterização. Uma data de coisas a acontecer ao mesmo tempo. Por isso, mesmo que uma dessas partes melhore muito, o resultado final nunca sobe de forma proporcional.
Na prática, o salto real pode andar mais perto das 3 vezes. E até nisso eu tenho as minhas dúvidas.
Em vez de falar em fantasia, o insider pegou num exemplo mais concreto com base em dados oficiais do Assassin’s Creed Shadows.
Ora bem, na PS5, as tarefas ligadas ao ray tracing ocupam uma parte importante do frame time, mas não ocupam tudo. Mesmo que a PS6 esmague essa parte com muito mais força, o resto do trabalho continua a existir.
Ou seja, no mundo real, um jogo que hoje anda à volta dos 30 FPS pode muito mais facilmente saltar para a casa dos 90 ou 100 FPS, e não para números absurdos que muita gente anda a atirar para o ar.
É um salto brutal? É. Continua a ser impressionante? Sem dúvida. Aliás, já chega aos 120Hz das TVs de topo do mercado.
Mas, também é preciso ter em consideração que os jogos vão ficar mais pesados. No final do dia, é uma conta complicada de se fazer.
A PS6 pode ser um salto sério. Mas não vai humilhar uma RTX 5090.
Outra mania que começou logo a aparecer foi a de comparar este rumor com placas gráficas topo de gama para PC, como se a PS6 fosse chegar ao mercado pronta a rebentar com tudo o que existe no desktop.
Mais uma vez, calma.
A próxima consola da Sony pode dar um salto muito grande face à geração atual, especialmente no lado do ray tracing e da eficiência geral. Mas isso não significa que vá entrar no mercado com desempenho bruto de placa gráfica insana, até porque uma consola vive de equilíbrio, custo e consumo controlado.
O objetivo da Sony nunca vai ser fazer uma consola de 2.000 euros. Vai ser fazer uma máquina forte o suficiente para impressionar, sem rebentar completamente com o preço.







