A crise da memória continua a dar cabo do mercado, e a Samsung parece cada vez menos interessada em fingir que isso não lhe convém. Porque isso é de facto verdade. Quem produz memória está a adorar esta “crise”.
Dito tudo isto, a mais recente bomba aponta para o fim da produção de memória LPDDR4 e LPDDR4X, com a gigante sul-coreana a virar-se quase por completo para as mais lucrativas LPDDR5 e LPDDR5X.
Na teoria, faz sentido. A empresa quer produzir memória mais rápida, mais moderna e, acima de tudo, mais lucrativa. Na prática, isto vai complicar a vida a fabricantes, chipmakers e claro, ao consumidor final.
A Samsung quer deixar a velha memória para trás
A memória LPDDR4 já anda no mercado há muitos anos, e como é óbvio, não ia durar para sempre. O problema não está na mudança em si. Está no timing, e também no contexto.
Porque não estamos a falar de uma transição tranquila, feita com calma e com alternativas baratas prontas a entrar em cena. Estamos a falar de um mercado que já anda todo torto por causa da procura absurda por memória, muito por culpa da febre da inteligência artificial.
Ou seja, a Samsung não está apenas a empurrar o mercado para a frente. Está também a empurrá-lo para uma zona mais cara.
O impacto pode ser grande nos smartphones mais baratos
É aqui que a história fica mais interessante. Muita da gama média e gama baixa continua a viver muito bem com LPDDR4X. Não porque seja incrível, mas porque chega perfeitamente para o tipo de experiência que esses smartphones querem entregar.
Se a Samsung fechar mesmo a torneira, muitas marcas vão ser obrigadas a saltar para LPDDR5, mesmo em equipamentos onde isso nunca foi prioridade. E isso tem uma consequência muito simples. Os preços sobem.
Assim, o mesmo smartphone, com o mesmo nome, o mesmo design e quase as mesmas características, pode aparecer mais tarde com memória mais rápida, mas também com preço mais alto.
Quem faz chips também vai ter de mexer os planos
Não são só as marcas de smartphones que vão sentir esta mudança. Fabricantes de chips como a Qualcomm, a MediaTek e até a própria divisão mobile da Samsung vão ter de repensar muita coisa.
Porque quando um tipo de memória deixa de estar disponível em volume, não basta trocar uma linha na ficha técnica e seguir em frente. Há custos, há validações, há compatibilidades e há toda uma cadeia que tem de ser reajustada.
No fundo, a Samsung está a obrigar meio mercado a adaptar-se à velocidade do seu próprio interesse.
Infelizmente, além de tudo isto, a crise da memória já não está só a encarecer tudo. Está também a matar opções.
Durante muito tempo, o problema foi simples. A memória estava cara. Agora o problema começa a ser outro. A memória está cara, e ao mesmo tempo algumas opções começam simplesmente a desaparecer porque há vontade de aproveitar esta onda até onde der. Ou seja, muita ganância a tomar conta do mercado.
Ou seja, a crise da memória já não está apenas a fazer estragos no preço. Está também a redesenhar o próprio mercado.







