O maior desafio da Apple no mundo dos dobráveis não é o processador, não é a bateria e nem sequer é o preço. É aquilo que tem sido a pedra no sapato de qualquer dobrável. É a dobra, ou melhor, o vinco. Todos nós sabemos que é para aí que toda a gente vai olhar.
Sempre se disse que a Apple iria eventualmente entrar no mundo dos dobráveis. Porém, apenas e só quando fosse possível lançar um smartphone sem os problemas de todos os outros. Isto significava boa bateria, com boas câmaras e, claro, com um ecrã capaz de se dobrar e desdobrar sem ficar com um vinco estranho no sítio da dobra.
Vai ser aí que toda a gente vai tentar perceber se a Apple conseguiu finalmente fazer aquilo que o resto do mercado anda há anos a prometer, mas nunca conseguiu entregar como deve ser.
O vinco continua a ser o maior problema dos dobráveis?
A meu ver, o maior problema dos dobráveis é a Samsung. Ou seja, a forma como a gigante sul-coreana lançou o seu primeiro Galaxy Fold, de forma a ser a “primeira” do mercado a contar com um aparelho deste tipo.
A coisa correu mal, porque o aparelho estava inacabado, e várias unidades apresentaram problemas graves. Aliás, o lançamento foi cancelado e vários smartphones foram recolhidos. Tudo isto criou uma imagem de… fragilidade, que honestamente nunca mais foi apagada.
De facto, a durabilidade já está num outro nível bastante diferente. Os dobráveis aguentam facilmente 2 ou 3 anos nas mãos de um consumidor, tal e qual um smartphone normal. O problema é que os detalhes menos bons saltam sempre muito mais à vista devido ao fenómeno do primeiro dobrável lançado no mercado global.
Ainda assim, durante muito tempo, as marcas tentaram convencer o consumidor de que o vinco era um detalhe sem importância. Depois passaram para a fase seguinte, que era ainda mais engraçada. Começaram a fingir que praticamente já não existia.
O problema é que basta pegar num dobrável, meter alguma luz em cima do ecrã, e a conversa muda logo. O vinco continua lá. Sempre esteve. Pode estar melhor disfarçado, pode ser menos agressivo, mas continua lá.
É precisamente por isso que o iPhone Fold vai ser posto debaixo de uma lupa como nenhum outro dobrável antes dele.
A Apple não vai ter margem para falhar.

Se há empresa que vive de escrutínio ao detalhe, essa empresa é a Apple. Tudo o que faz é analisado até ao osso, e com um dobrável isso vai ser ainda mais evidente.
Aliás, o primeiro teste ao iPhone Fold vai ser ridiculamente simples. Toda a gente vai abrir o smartphone, apontá-lo a uma fonte de luz, inclinar o ecrã e tentar perceber quão visível é o vinco. Nem vai ser preciso grande ciência. Vai ser logo ali, à primeira vista.
Se a Apple quer mesmo entrar neste segmento com força, então tem de aparecer com uma solução muito acima da média. Porque neste mercado, bom já não chega. Especialmente quando falamos da Apple.
A Apple tem de ser melhor do que a Oppo.
Esta conversa volta a aquecer porque o OPPO Find N6 foi vendido com a narrativa de um ecrã quase sem vinco, ou pelo menos com uma experiência tão boa que o problema deixava de interessar. No papel, soava muito bem. Como quase sempre.
Mas depois chega o uso real e a história muda de figura.
Ao fim de algum tempo de utilização, começaram a surgir relatos a mostrar aquilo que já toda a gente mais ou menos esperava. O vinco continua visível em certas condições de luz. Ou seja, a tecnologia melhorou, mas o desgaste continua lá.










