Caso não saibas, a dependência da TSMC continua a ser um dos maiores problemas do mundo mobile premium. Não porque a fabricante taiwanesa faça mau trabalho, muito pelo contrário. O problema é que faz um trabalho tão bom, e tão importante, que acaba por poder cobrar quase o que quiser. Preços que depois acabam a ser pagos por… Ti.
Infelizmente., não existe uma outra fabricante capaz de fazer igual, e isso é um problema muito grave.
A Qualcomm sabe disso, e por isso queria uma alternativa séria na Samsung. Só que, ao que tudo indica, essa alternativa ainda não está pronta.
A Qualcomm queria jogar nos dois lados, para poupar dinheiro.
Há muito que se fala na vontade da Qualcomm em apostar numa estratégia de dual sourcing. Ou seja, dividir produção entre mais do que uma fábrica para reduzir riscos, ganhar margem negocial e, claro, tentar controlar custos.
No papel, a Samsung era a candidata óbvia para isso. Tem ambição, tem tecnologia própria e tem todo o interesse em roubar algum protagonismo à TSMC. O problema é que uma coisa é querer. Outra muito diferente é conseguir.
O grande problema está no processo de 2nm
Segundo os mais recentes rumores, o processo de 2nm GAA da Samsung continua sem conseguir atingir o nível de estabilidade e eficiência que a Qualcomm quer para os seus próximos chips topo de gama. A Samsung está melhor, está como não estava há anos.
Mas isso ainda não é o suficiente.
Mais concretamente, fala-se em yields na casa dos 60%, quando a Qualcomm queria ver algo mais próximo dos 70%. A diferença pode não parecer absurda à primeira vista, mas neste tipo de produção faz toda a diferença. Quando estás a falar de chips de topo, caros, complexos e produzidos em massa, qualquer falha pesa muito.
É precisamente por isso que o Snapdragon 8 Elite Gen 6 e o Snapdragon 8 Elite Gen 6 Pro deverão continuar presos à TSMC e ao seu processo N2P.
A Samsung ainda pode lá chegar, mas não é para já
A parte curiosa é que os 60% não significam desastre total. Não é um valor perfeito, mas também não é um buraco sem saída. Ainda por cima, a própria TSMC também terá andado em valores semelhantes em fases iniciais do seu 2nm.
Ou seja, a Samsung ainda tem margem para melhorar. A questão é se consegue fazê-lo a tempo de convencer clientes como a Qualcomm a apostar a sério nas suas fábricas.
O impacto disto vai muito além da Samsung e da Qualcomm
Isto não é apenas uma guerra entre duas empresas. É uma questão que pode influenciar diretamente o preço e a competitividade dos próximos smartphones Android topo de gama.









