Há notícias que, à primeira vista, parecem positivas. Parecem até um festejo, como se fosse uma bola de ouro para o CR7. Esta é uma delas, pelo menos no papel. A banca portuguesa fechou 2025 como a mais rentável da zona euro.
Parece impressionante. Um motivo de orgulho. O problema é que, em Portugal, quando a banca bate recordes de rentabilidade, o consumidor não sente orgulho. Sente que andam a brincar com ele.
Banca portuguesa fecha 2025 no topo. Mas quem é que realmente ganhou com isso?

Convém dizer uma coisa desde já. Os bancos não estão a fazer nada de ilegal só por serem altamente rentáveis. Estão a jogar o jogo que lhes é permitido.
Ou seja, se a banca portuguesa consegue fechar o ano como a mais rentável da zona euro, num país com salários baixos, poder de compra aquém dos vizinhos, e uma população que continua a viver com receio de mexer no pouco que tem, então isso diz muito mais sobre o mercado português do que sobre a genialidade dos banqueiros.
Diz que o sistema funciona demasiado bem para quem cobra, e demasiado mal para quem paga.
Em Portugal, a banca lucra muito porque é fácil.
A banca em Portugal continua a viver muito bem com comissões, com taxas, com spreads, com produtos empurrados ao balcão e com uma relação com o cliente que ainda assenta demasiado na inércia.
Sim, já existem alternativas. Mas, o modelo tradicional continua a render demasiado num país onde muita gente não muda por hábito, por medo, por idade, por falta de literacia financeira ou simplesmente porque não quer ter de perder uma manhã inteira a perceber como funciona outro banco.
Mas… Não é só por isto!
O que não falta em Portugal são bancos. Mas, concorrência? Essa é rara. Os produtos são quase sempre os mesmos de banco para banco, exceto algumas exceções raras, quase sempre nos bancos digitais. Lá fora, os bancos vão atrás de quem tem dinheiro, com vantagens muito interessantes. Cá? Tens de pagar ao banco para meter lá dinheiro.
Mas o resultado está à vista. Os Portugueses continuam na mesma onda onde os depósitos ficam, a concorrência real fica limitada, e a rentabilidade sobe.
Conclusão
Se a banca portuguesa fechou 2025 como a mais rentável da zona euro, talvez fosse boa ideia as pessoas começarem a pensar no porquê.
No fundo, a notícia até pode soar bem na manchete. Mas cá em baixo, no mundo real, soa mais a outra coisa. Soa a mais uma prova de que, em Portugal, há setores que continuam a encontrar formas incríveis de lucrar muito num país onde quase toda a gente sente que lhe sobra cada vez menos.







