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Crimson Desert (Análise) – Primeiro estranha-se, depois…

Crimson Desert (Análise) – Primeiro estranha-se, depois…

Gonçalo Henriques por Gonçalo Henriques
26 de Março, 2026
em Jogos, Reviews
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Bem, sendo honesto consigo, caro leitor, nunca nenhum jogo me custou tanto a analisar como o recentemente lançado Crimson Desert. Não porque seja um mau jogo, ou que tenha sequer má fama. Digo isto porque nunca vi um jogo com tantas mecânicas numa só experiência.

Consegues imaginar colocar partes de Skyrim, Witcher 3, Zelda Tears of the Kingdom e Dragon Age 2 numa liquidificadora? Pois bem, o resultado é Crimson Desert.

Como seria de esperar, já consigo adivinhar os pensamentos de muitos de vós: “Mas… Gonçalo, algo desse género tem tudo para correr mal”. A isso eu respondo: “…sim, tem!”. E foi genuinamente o que eu pensei durante as primeiras vinte horas, porque nunca nenhum jogo me causou tão fraca primeira impressão.

Porém, algo de estranho aconteceu. E quase como magia, a minha opinião mudou por completo. Este jogo passou de ser uma experiência frustrante para ser um dos melhores RPG que joguei nos últimos anos.


É exatamente por isto que acredito que as reviews vão de fracas a muito boas. Quem analisa o jogo não sabe o que pensar, ou o que sentir. Tudo isto porque a grande maioria dos jogadores (eu incluído) pegou em Crimson Desert com uma expectativa que nada correspondia à realidade.

Eu já não tenho a vida (leia-se tempo) que tive, por isso acabei por não acompanhar todo o desenvolvimento deste projeto. Fui vendo trailers e ouvindo o que a Pearl Abyss (os developers) ia divulgando. Assim, a ideia com que fiquei é que estávamos perante o lançamento de um jogo com os gráficos e história ao nível de um Witcher, dentro de um mundo aberto descomunalmente grande, cheio de segredos e com uma profundidade de diálogo e escolhas ao nível de The Elder Scrolls.

E aqui surge o verdadeiro problema! Porque não podemos olhar para este jogo como sendo o derradeiro RPG de mundo aberto, mas sim como aquilo que ele é: um MMORPG que, durante o seu desenvolvimento, foi convertido para single player.

Vamos por partes?

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Gráficos e Performance

Ora aqui está o único ponto deste jogo que correspondeu e até superou as minhas expectativas. Crimson Desert é simplesmente lindo.

Seja ao longe, quando estamos a observar as diferentes paisagens deste mundo, ou ao perto, quando estamos no meio de uma cidade a comprar coisas num mercado. A realidade é que tanto a iluminação como as texturas e animações são incríveis.

Entretanto, algo que quero salientar é a otimização espetacular que a Pearl Abyss conseguiu com Crimson Desert. Afinal de contas, seria de esperar, especialmente hoje em dia, que um jogo com gráficos tão bons tivesse problemas de otimização. Mas, mesmo com tudo em modo cinemático (o modo acima de ultra) e em 2K, não houve nenhum momento em que o jogo baixasse dos 110 fps na minha máquina.

É de salientar também que, em definições médias, Crimson Desert atinge cerca de 45 fps na Steam Deck, algo incrível quando nos lembramos que já não é hardware propriamente novo.

História

Honestamente, não há muito para dizer, o que coincidentemente é um dos maiores defeitos apontados a Crimson Desert.

Porém, é aqui que entra a tal gestão de expectativas que falei há pouco. Isto porque Crimson Desert deve ser encarado como um jogo sandbox, em que o entretenimento vem da exploração e da criação da nossa própria aventura. Ou seja, temos de esquecer jogos como The Witcher 3, em que a história é o foco principal.

Com isto quero dizer que de facto existe uma história, mas esta é claramente apenas uma forma de nos apresentar mecânicas e territórios novos, para não estarmos completamente perdidos.

Mais concretamente, quando começamos a aventura, somos um Greymane chamado Kliff, membro de um grupo de mercenários conhecidos por toda a terra pelas suas capacidades como guerreiros. O jogo tem início com o nosso grupo a ser atacado e dizimado por mercenários rivais conhecidos como os Black Bears, e Kliff a ser assassinado. Porém, graças a uma força misteriosa, somos ressuscitados e temos como objetivo restabelecer os Greymanes e desvendar o mistério desta magia desconhecida.

Jogabilidade

E é aqui, caro leitor, que tudo começa a fazer sentido. Ou então a cair completamente por terra, dependendo da sua paciência e resiliência.

Ou seja, tal como referi no início do artigo, Crimson Desert é uma autêntica mixórdia de mecânicas. E não, isto não é um exagero. Este é, sem dúvida, um dos jogos mais densos que já joguei. Não porque seja complexo no sentido tradicional, mas porque simplesmente… tem tudo e mais um par de botas.

Começando pelo combate, que é sem dúvida o ponto mais forte do jogo. É rápido, pesado e extremamente satisfatório quando finalmente “encaixa”. Ou seja, não estamos perante um sistema rígido com classes definidas, mas sim algo mais fluído, onde o jogador vai desbloqueando novas habilidades ao longo do tempo e expandindo o seu arsenal de movimentos.

Desta forma, podemos combinar ataques com espada, golpes corpo-a-corpo, agarrar inimigos, atirá-los ao chão, encadear combos e até incorporar efeitos elementais como fogo ou gelo. Mas é importante salientar que existe um claro ênfase no timing. Ou seja, saber quando bloquear, desviar ou contra-atacar faz toda a diferença, especialmente em confrontos mais exigentes.

O problema? Nada disto é bem explicado.

Durante as primeiras horas, o combate parece desajeitado, quase caótico. Mas à medida que o jogador começa a perceber como tudo se liga, o sistema revela-se surpreendentemente profundo e recompensador.

Felizmente não é tão punitivo como um Souls, mas também não é um simples “button masher”. Existe aqui um equilíbrio interessante entre acessibilidade e expressão de skill.

Passando para o mundo aberto, este é simplesmente gigantesco e, mais importante ainda, vivo. Desde cidades densas a florestas, desertos e montanhas, há uma constante sensação de escala e descoberta. A exploração é incentivada não só pela curiosidade, mas também pela quantidade absurda de sistemas interligados.

E quando digo absurda, digo mesmo absurda.

Podemos caçar, pescar, cozinhar, roubar, aceitar recompensas, melhorar equipamento, construir um acampamento, enviar companheiros em missões… e a lista continua. Há momentos em que parece que estamos a jogar vários jogos diferentes ao mesmo tempo.

Mais uma vez, isto pode ser tanto uma qualidade como um defeito.

Por um lado, existe uma liberdade enorme. O jogador pode ignorar completamente a história e simplesmente perder-se no mundo, criando a sua própria aventura. É quase poético. Mas, por outro, esta abundância de sistemas pode ser avassaladora, especialmente porque o jogo raramente abranda para explicar seja o que for de forma clara.

A progressão segue essa mesma filosofia. Não existem classes tradicionais, mas sim uma evolução contínua baseada em habilidades e equipamento. Vamos desbloqueando novas técnicas, melhorando armas e adaptando o nosso estilo de jogo conforme experimentamos diferentes abordagens.

Isto reforça a ideia de sandbox que Crimson Desert tenta transmitir. Ou seja, não somos limitados por escolhas iniciais, mas sim incentivados a experimentar.

No entanto, é impossível ignorar o “ADN de MMO” que ainda está presente. Muitas das mecânicas, desde a forma como as missões são estruturadas até à progressão, dão a sensação de que este foi, em tempos, um jogo pensado para ser partilhado com outros jogadores.

E talvez seja exatamente por isso que o gameplay demora tanto tempo a “fazer sentido”.

Conclusão

Crimson Desert não é um jogo que se compreende facilmente no início da aventura. Vão ser muitos os jogadores que vão experimentar e prontamente desistir. Exige tempo, paciência e alguma tolerância à frustração inicial. Mas para quem estiver disposto a ultrapassar essa barreira, existe aqui um sistema de jogo surpreendentemente rico e variado.

Não é perfeito. Está longe disso. Mas, ao mesmo tempo, acaba por ser uma experiência única que não conseguimos ir buscar a mais nenhum jogo singleplayer moderno.

Assim, se tiveres o mindset certo e souberes exatamente o que esperar, tudo se alinha e Crimson Desert torna-se extremamente difícil de largar. Recomendado.

A análise

Crimson Desert

8 Pontuação

Crimson Desert não é um jogo que se compreende facilmente no início da aventura. Vão ser muitos os jogadores que vão experimentar e prontamente desistir. Exige tempo, paciência e alguma tolerância à frustração inicial. Mas para quem estiver disposto a ultrapassar essa barreira, existe aqui um sistema de jogo surpreendentemente rico e variado.

Review

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Gonçalo Henriques

Gonçalo Henriques

Lembro-me de ser miúdo e passar os meus dias a jogar NES/PS1, acho que até aí já sabia que iria ser gamer para o resto da vida. Agora quero partilhar este meu interesse com todos os que estejam interessados em ouvir um geek a falar da sua paixão.

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