A Xiaomi apresentou oficialmente a nova geração do SU7, o seu elétrico que quer continuar a provar uma coisa muito simples… A marca chinesa não entrou no mundo automóvel para brincar.
Ou seja, depois de ter surpreendido meio mundo com o primeiro modelo, chega agora uma atualização muito mais madura, mais refinada e claramente pensada para atacar segmentos onde já vivem marcas com outro nome e outra história.
O novo Xiaomi SU7 chega em três versões, Standard, Pro e Max, com preços a começar nos 219.900 (27.780€) yuan, a subir para 249.900 yuan (31.570€) e a terminar nos 303.900 yuan (38.392€).
O design não muda muito. Mas muda o suficiente
A Xiaomi não quis inventar demasiado. O SU7 continua a ter a mesma identidade visual, com os faróis em forma de gota, a traseira familiar e proporções de berlina grande. Continua a medir 5 metros de comprimento, 2 metros de largura e tem uma distância entre eixos de 3 metros.
Ou seja, continua a ser um carro grande, com presença, e claramente pensado para passar uma imagem mais premium.
As grandes mudanças estão nos detalhes.
Há novas cores, novas jantes, um novo desenho para a grelha frontal e uma integração mais inteligente de sensores como o radar de 4D. O resultado final é um carro mais limpo, mais desportivo e também mais sofisticado.
Interior mais sério. E finalmente mais luxuoso
Se havia espaço para crescer, era aqui. E a Xiaomi percebeu isso.
O interior do novo SU7 foi claramente melhorado, com novos materiais, mais superfícies suaves ao toque, novo volante em pele Nappa, mais cuidado nos botões, novos esquemas de cor e uma iluminação ambiente muito mais trabalhada.
A marca fala de um habitáculo mais luxuoso, e desta vez parece mesmo que o quer provar com detalhe e não só com marketing.
Os bancos também evoluíram. Há mais ajustes, melhor apoio lateral, extensão para as pernas, massagens, ventilação e aquecimento. Atrás, os passageiros passam a ter mais conforto, melhor reclinação e até apoio de cabeça pensado para viagens longas.
Há ainda frigorífico melhorado, tejadilho com controlo de luminosidade, mais isolamento acústico e vidro laminado em várias zonas do carro. No fundo, a Xiaomi quer mesmo que o SU7 deixe de parecer apenas um EV rápido e passe também a ser visto como um carro confortável e requintado.
Autonomia até 902 km. Sim, leste bem
A nova geração do SU7 recebeu melhorias importantes na motorização e eficiência. Toda a gama passa a usar o motor Xiaomi HyperEngine V6s Plus, capaz de chegar às 22.000 rpm.
Na versão mais capaz, o carro é capaz de fazer dos 0 aos 100 km/h em 3.08 segundos e atingir uma velocidade máxima de 265 km/h.
Mas o dado mais impressionante pode até ser a autonomia:
- 720 km no SU7 Standard
- 902 km no SU7 Pro
- 835 km no SU7 Max
Sim, são números em ciclo CLTC, por isso convém olhar para isto com algum cuidado. Mas mesmo com esse desconto habitual, continuam a ser números muito fortes.
Além disso, a Xiaomi promete carregamento ultrarrápido, com até 670 km de autonomia em 15 minutos e carga dos 10 aos 80% em apenas 12 minutos.
Chassis novo e muita conversa de carro de condutor
A Xiaomi chama a isto Smart Chassis 2.0, e a ideia é simples: tornar o SU7 mais competente em curva, mais estável, mais confortável e mais inteligente na forma como reage à estrada.
Tem suspensão dianteira de duplo triângulo, traseira multibraços, molas pneumáticas de dupla câmara, controlo contínuo de amortecimento e vários modos de condução. Também há ajuste de altura da suspensão e memória por localização GPS.
Na prática, o objetivo é dar ao carro um comportamento que agrade no dia-a-dia mas também consiga divertir quando é preciso.
É ambicioso, claro. E a Xiaomi sabe disso. Chamar-lhe “o carro do condutor para uma nova era” levanta imediatamente a fasquia.
Mais inteligência, mais IA, mais ecossistema Xiaomi
Como seria de esperar, a Xiaomi puxou forte pelo lado tecnológico. O novo SU7 traz um módulo central de controlo mais poderoso, com dois chips de topo, incluindo um Snapdragon 8 Gen 3 para o habitáculo e um NVIDIA DRIVE AGX Thor para a condução assistida.
Há compatibilidade com Wi-Fi 7, UWB, integração profunda com o ecossistema Xiaomi e uma cabine inteligente baseada em HyperOS.
O assistente XiaoAi também evoluiu bastante, com memória de conversação, pesquisas em tempo real, melhor navegação por voz e mais controlo de funções do carro e até de apps.
Sim, há aqui muito gadget. Talvez até gadget a mais. Mas isso também já faz parte do ADN da Xiaomi.
Condução assistida mais séria
O SU7 passa a trazer uma arquitetura nova chamada XLA, apoiada por LiDAR, radar 4D, 11 câmaras HD e 12 sensores ultrassónicos. A promessa é simples: mais percepção, melhores decisões e respostas mais rápidas.
A Xiaomi quer passar da simples imitação de condutor para uma compreensão mais real do ambiente. É uma promessa grande. Demasiado grande, talvez. Mas mostra bem onde a marca quer competir. Também há comandos por voz para mudar de faixa, ajustar velocidade ou iniciar manobras de estacionamento. Tudo muito virado para um futuro em que o carro faz mais, e o condutor faz menos.
Segurança é claramente uma prioridade
A nova geração do SU7 também foi reforçada na estrutura, com aço de ultra alta resistência até 2.200 MPa, mais airbags, melhorias nas portas para abertura em caso de acidente e um sistema de bateria ainda mais protegido.
A Xiaomi promete resistência extrema, mais proteção lateral, melhores testes de impacto e uma bateria pensada para evitar fogo, explosão ou falhas graves mesmo em cenários extremos.
Aliás, a marca fala em 1.231 testes à bateria, com resultados acima dos requisitos nacionais chineses em quase tudo.
É o tipo de abordagem que faz sentido. Afinal, podes meter o melhor ecrã, o melhor chip e a melhor app dentro do carro. Mas se depois falhas na segurança, acabou a conversa.
A Xiaomi já não quer só impressionar. Quer competir!
O novo SU7 mostra uma Xiaomi muito mais confiante. Já não é só a marca que fez um carro elétrico surpreendentemente bom. É agora uma marca que quer melhorar tudo ao mesmo tempo, desempenho, luxo, software, autonomia, segurança e experiência de utilização.
Claro que continua a existir uma grande pergunta no ar. Será que tudo isto resulta tão bem na estrada como resulta numa apresentação?
É que uma coisa é meter uma lista absurda de especificações num comunicado. Outra bem diferente é criar um automóvel realmente bom, consistente e desejável no mundo real.
Ainda assim, há uma certeza. A Xiaomi já obrigou toda a gente a olhar para ela com outros olhos.











