Isto não é um texto a dizer que os carros elétricos tendem a arder. Nada disso. Mas, quando isso de facto acontece, a realidade é que apagar o fogo pode ser muito mais complicado do que num carro a gasolina ou gasóleo. Aliás, em alguns casos, os bombeiros precisam de utilizar milhares de litros de água para controlar completamente as chamas.
A razão está na própria tecnologia das baterias. Ou seja, quando algo corre mal, o incêndio pode continuar durante muito tempo, mesmo depois de aparentemente estar controlado.
O problema chama-se “thermal runaway”
Portanto, quando uma bateria de iões de lítio sofre um defeito grave ou é danificada num acidente, pode entrar num processo chamado thermal runaway. Basicamente, uma célula da bateria começa a sobreaquecer e desencadeia uma reação em cadeia nas restantes células. O calor aumenta rapidamente, são libertados gases tóxicos e o fogo pode continuar a alimentar-se durante bastante tempo.
Mesmo quando as chamas deixam de ser visíveis, a reação química pode continuar dentro da bateria.
É precisamente por isso que os bombeiros precisam de arrefecer toda a bateria, algo que pode exigir grandes quantidades de água.
Aliás, em desportos centrados em carros elétricos, como é o caso da FE, existe um sistema onde pode ser preciso mergulhar o carro em uma pequena piscina para acalmar o incêndio.
Um incêndio pode voltar a reacender
Outro problema é que um carro elétrico pode voltar a incendiar-se horas depois. Isto acontece porque a bateria ainda pode conter energia armazenada. Se algumas células continuarem demasiado quentes, o processo pode reiniciar.
Para evitar isso, os bombeiros tentam arrefecer completamente o pack da bateria.
Em alguns casos também são utilizadas mantas anti-fogo, que ajudam a limitar o acesso de oxigénio às chamas. No entanto, estas mantas podem acumular gases perigosos e, quando removidas, existe risco de explosão.
Quantos litros de água são necessários?
Em alguns incêndios envolvendo carros elétricos, os números são impressionantes.
Um relatório da International Association of Fire & Rescue Services mostrou um caso nos Estados Unidos em que foram necessários cerca de 90 mil litros de água para extinguir um incêndio num Tesla.
Outros estudos indicam que um incêndio num EV pode consumir até 40 vezes mais água do que um incêndio num carro a combustão.
O acesso à bateria também complica tudo
Outro detalhe importante é a posição da bateria.
Na maioria dos carros elétricos, esta está localizada na base do veículo, protegido por uma estrutura robusta. Isto é excelente para segurança em caso de acidente, mas complica o trabalho dos bombeiros durante um incêndio.
Em alguns testes realizados pela National Fire Protection Association, as equipas chegaram a inclinar o carro lateralmente para ter melhor acesso à bateria e direcionar a água de forma mais eficaz.
Num desses testes foram necessários cerca de 14.500 litros de água e 24 minutos para controlar totalmente o incêndio.
Apesar de tudo, são incêndios raros!
Apesar de toda a atenção mediática, os incêndios em carros elétricos continuam a ser relativamente raros. É muito mais comum ver um carro a combustão a arder, do que um elétrico.
Um relatório da autoridade sueca de proteção civil mostrou que, num período de três anos, existiram em média 20 incêndios por ano em carros elétricos, num universo de mais de 611 mil veículos. No mesmo período, carros a gasolina registaram cerca de 3.400 incêndios entre uma frota de aproximadamente 4.4 milhões de veículos.







