Quando a Lamborghini apresentou o conceito Lanzador em 2023 a mensagem era bastante óbvia. Ou seja, a marca queria provar que conseguia transportar a alma de um supercarro italiano para o mundo elétrico, o que muitos acharam muito complicado, porque ainda ninguém o conseguiu fazer.
Sim, os elétricos estão cada vez melhores, mas… Em termos de dinâmica a sério, estão ainda muito atrás daquilo que um bom carro a combustão é capaz de trazer para cima da mesa. Sendo exatamente por isso que, três anos depois, essa ambição foi colocada na gaveta porque o projeto foi oficialmente cancelado devido à fraca procura e ao retorno financeiro pouco convincente.
Lamborghini queria um elétrico puro. Mas… Já não quer!
Segundo o CEO Stephan Winkelmann a decisão foi tudo menos impulsiva. Ou seja, houve mais de um ano de discussões internas, testes de mercado e conversas com concessionários, etc… Mas, a conclusão foi simples! Os clientes típicos da Lamborghini, muitos deles colecionadores apaixonados por V8 e V12 cheios de drama mecânico, simplesmente não demonstraram entusiasmo por um grand tourer silencioso movido a baterias.
Quando não existe “hype”, então… Mais vale acabar com o projeto.
Além disso, do ponto de vista financeiro a equação também não fechava, desenvolver uma plataforma elétrica à medida das exigências de performance da Lamborghini implicaria investimentos pesados em investigação, engenharia e cadeia de fornecimento, custos que a marca passou a encarar como um hobby caro num cenário de retorno incerto.
É o fim da eletrificação?
Isto não significa que a eletrificação vá desaparecer do ADN da marca, a arquitetura desenvolvida para o projeto será adaptada para um híbrido plug-in que combina motor a combustão com assistência elétrica orientada para performance. De facto, uma estratégia semelhante à do próximo Lamborghini Urus que continuará híbrido na sua próxima geração.
Esta mudança revela uma divisão cada vez mais clara no mercado de alta performance! Isto enquanto a indústria automóvel em geral acelera rumo à eletrificação total impulsionada por metas europeias que exigem cortes de 90 por cento nas emissões de CO2 até 2035 face a 2021.
A realidade é só uma… As marcas ultra luxo enfrentam uma base de clientes que não quer abdicar do som, da vibração e do espetáculo mecânico.
Então… e a alma?
O CEO defende ainda que a propulsão elétrica pode ser eficiente mas ainda não cria a ligação emocional que define um Lamborghini. Por isso, para a marca o híbrido surge como caminho intermédio capaz de cumprir regulamentos sem alienar quem realmente paga as contas.
Entretanto concorrentes seguem outra rota. De facto, a Ferrari prepara o lançamento do seu primeiro elétrico já em maio e a Bentley aposta também num modelo totalmente elétrico ainda este ano, mostrando que nem todos veem o risco da mesma forma.
Agora resta saber se isso vai correr bem, ou se a “Lambo” tinha razão em desligar a ficha.










