A Apple vai muito provavelmente apresentar em março um novo MacBook mais acessível, equipado com o chip A18 e apenas 8 GB de RAM. Um portátil que vai funcionar tal e qual como qualquer outro MacBook, a um preço que deverá andar entre os 600 e 800€.
Mas, como sempre que aparece a palavra “8 GB” em 2026, a internet entra em pânico… Vamos com calma.
A18 não é um chip fraco. Muito pelo contrário
É um SoC pensado para o iPhone. É verdade. Mas, ao mesmo tempo, estamos a falar de um chip que em single core já supera o M1. E o M1, lançado em 2020, continua a ser um excelente processador para uso diário.
Aliás, há quem ainda compre MacBooks M1 no mundo dos usados e recondicionados.
Dito isto, em multi core a coisa deverá ficar taco a taco com o M1, já que este tem mais núcleos. Mas para tarefas normais, navegação, Office, streaming, edição leve de imagem e até algum vídeo simples, o desempenho não será problema.
O chip não é o ponto fraco aqui.
O verdadeiro debate é a RAM
A dúvida legítima é esta. 8 GB chegam?
Depende.
Para 90% das pessoas que usam o computador para e-mail, navegador com algumas abas, documentos, aulas online e consumo de conteúdos, chega. E sobra.
Mas é importante perceber duas coisas.
Primeiramente, estamos a falar de memória unificada. Não é igual a 8 GB num portátil Windows tradicional. A arquitetura da Apple é mais eficiente. Ainda assim, não faz milagres.
Dito isto, 8 GB continuam a ser partilhados entre CPU e GPU. Se começares a abrir muitas aplicações pesadas, máquinas virtuais, projetos grandes no Xcode ou edição de vídeo mais exigente, vais bater no limite e o sistema começa a fazer swap para o SSD. E aí a performance cai.
Portanto, para uso casual, tranquilo. Para trabalho mais pesado, não é a máquina certa.
E jogos como Hades ou Hollow Knight?
Jogos como Hades ou Hollow Knight não são particularmente exigentes. Se o A18 entrega desempenho semelhante ou superior ao M1, esses títulos deverão correr sem drama. Dito isto, claro que ninguém compra um MacBook budget para gaming sério. Mas para jogos indie leves, deve aguentar perfeitamente.
O que não podes esperar é performance de consola ou PC gaming.
Pode haver outras limitações?
Há também rumores de que este modelo pode não suportar monitor externo, ou mesmo cortar no suporte a aplicações x86 mais antigas, dependendo do futuro da Rosetta. Infelizmente, se a Apple quiser posicionar este MacBook abaixo da linha Air tradicional, é natural que existam alguns compromissos estratégicos.
O detalhe curioso. As cores!
Como quase sempre acontece, o modelo mais acessível deverá vir em cores mais vibrantes e interessantes, enquanto os modelos Pro continuam presos ao cinzento sério e profissional.
Curiosamente, muita gente prefere as cores mais ousadas, mas quer também o hardware mais potente. A Apple continua a separar os dois mundos.
Então vale a pena?
Se este MacBook chegar abaixo dos 800 euros, pode tornar-se uma máquina extremamente interessante para estudantes e utilizadores comuns. Isto é especialmente verdade se ficar pelos muito desejados 699€.
Não é um portátil para programadores pesados, editores de vídeo profissionais ou quem trabalha com 3D. Não é esse o público. É para quem quer entrar no ecossistema macOS com boa bateria, excelente eficiência e desempenho mais do que suficiente para tarefas do dia a dia.









