Quando a Google anunciou o novo Google Pixel 10a com o mesmo design, a mesma memória, e o já conhecido Tensor G4 que equipa toda a gama Pixel 9, muita gente torceu o nariz. E com razão. Apesar de ser um aparelho pensado para a gama média, é um smartphone que custa 559€ na sua versão mais barata em Portugal.
Como assim um smartphone de 2026 com um processador da geração anterior, quando já existe o Tensor G5?
À primeira vista parece um compromisso muito grande, e que vai acabar por desvalorizar o lançamento da Google. Mas, quando se olha para os números frios, a decisão começa a fazer todo o sentido. Especialmente quando existe todo este clima de crise no lado dos chips.
Tudo se resume a custos, e a cortes inteligentes!
A verdade é que, num mercado onde as margens são cada vez mais apertadas, cada euro conta.
Dito tudo isto, segundo estimativas do mercado, o Tensor G4 representava cerca de 29.87% do custo total de produção do Google Pixel 9a. Assim, se assumirmos um cenário máximo de 400 dólares de custo total, o Tensor G4 poderia rondar os 119 dólares por unidade. É um valor elevado dentro do orçamento de um smartphone de gama média.
Mas, é um custo irrealista. Como é óbvio, nem todos os SoCs a sair das linhas de produção custam este tipo de valor. Isto porque, grande parte do custo real de um chip está na investigação e desenvolvimento e na criação das máscaras de fabrico. Essa conta já foi paga com a geração Pixel 9.
Ou seja, com o Pixel 10a, a Google já não está a pagar o desenvolvimento do Tensor G4. Está apenas a pagar custos marginais de produção, como wafer e packaging. Estimativas apontam para algo entre 4 e 10 dólares por unidade.
É assim que a Google mantém o preço do ano passado, apesar do facto de a memória RAM e armazenamento NAND terem aumentado para mais do dobro ao longo dos últimos meses.
Estratégia ao estilo Apple
A Apple faz isto há anos. Usa processadores da geração anterior nos seus modelos mais acessíveis e maximiza margens sem comprometer demasiado a experiência.
A Google está simplesmente a seguir o mesmo manual. Aliás, a Samsung também faz isto de vez em quando, especialmente nos modelos mais baratos.
E honestamente, para um modelo “a”, faz sentido. O público-alvo quer boa câmara, boa autonomia e suporte de software longo. Não está necessariamente à procura do benchmark mais alto.
O Tensor G5 está longe de ser perfeito
Há ainda outro detalhe que ajuda a perceber esta decisão. O Tensor G5 não chegou ao mercado de forma imaculada. Houve relatos de throttling e alguns problemas relacionados com drivers de GPU, ainda que parte disso tenha sido mitigado com atualizações posteriores.
Ao optar pelo G4, a Google escolhe um chip já testado, estável e totalmente afinado.
Menos risco. Mais previsibilidade. Custos drasticamente inferiores.
No papel parece um downgrade. Mas… Para a grande maioria das pessoas não é.
Ainda assim, a realidade é que o Pixel 10a é de facto muito similar ao Pixel 9a. Por isso, quem quiser um Pixel de gama média, vai sempre olhar para o modelo do ano passado, que oferece 99.9% daquilo que o modelo mais recente apresenta, a um preço inferior.








