Quando clicas em encerrar no final de um dia de trabalho, vês o ecrã ficar preto e assumes que o teu computador vai finalmente descansar para começar do zero na manhã seguinte. No entanto, a realidade é que esse recomeço limpo é, muitas vezes, apenas uma ilusão. Escondida nas definições de energia, existe uma funcionalidade chamada Arranque Rápido (Fast Startup) em que o Windows nunca desliga totalmente, permanecendo num estado híbrido entre o encerramento e a hibernação.
Windows nunca desliga realmente? O papel do arranque rápido
Esta ferramenta chegou na era do Windows 8 para ajudar os computadores que ainda usavam discos rígidos mecânicos lentos. Ao guardar um instantâneo do núcleo do sistema (o kernel) e dos drivers num ficheiro no disco, o Windows consegue saltar etapas na manhã seguinte e ligar muito mais depressa. Contudo, numa era dominada por discos SSD e NVMe ultra-rápidos, esta poupança de poucos segundos pode já não justificar os problemas que acarreta.
Os perigos de manter o PC sempre meio acordado
Por um lado, o Arranque Rápido impede que a memória do sistema se limpe totalmente. Com o passar do tempo, pequenos erros de aplicações, fugas de memória ou processos que correram mal ficam guardados nesse ficheiro de hibernação. Consequentemente, quando ligas o PC, esses problemas voltam a ser carregados, o que pode levar a uma degradação lenta mas constante da performance. Além disso, se fores verificar o tempo de atividade no Gestor de Tarefas, podes descobrir com surpresa que o teu PC está ligado há semanas, mesmo que o tenhas encerrado todas as noites.
Outro ponto crítico são as atualizações de segurança. Muitos destes patches exigem um reinício completo do sistema para se aplicarem corretamente no núcleo do Windows. Como o Arranque Rápido ignora o reinício total ao encerrar, o teu computador pode ficar preso num estado de atualização pendente, o que compromete a estabilidade e a própria segurança do dispositivo. Adicionalmente, se usares dois sistemas operativos no mesmo PC (dual-boot), esta função pode bloquear o acesso aos teus ficheiros, criando conflitos de hardware desnecessários.
Será que deves mesmo desativar?
Apesar dos riscos mencionados, é importante manter os pés no chão. Para um utilizador doméstico comum que apenas navega na internet e usa software básico, os perigos do Arranque Rápido são frequentemente exagerados. Atualmente, os drivers são muito mais robustos e os sistemas modernos lidam melhor com esta gestão de energia. Portanto, se não notas lentidão e o teu PC funciona perfeitamente, não precisas de ver esta função como um inimigo terrível.
Uma solução intermédia e muito eficaz é manter o Arranque Rápido ligado mas criar o hábito de reiniciar o computador (em vez de apenas encerrar) pelo menos uma vez por semana. Isto acontece porque o comando Reiniciar do Windows força sempre uma limpeza total e ignora o ficheiro de hibernação. Assim, garantes que o sistema faz a manutenção necessária sem perderes a rapidez diária que a funcionalidade oferece.
Como desativar o Arranque Rápido passo a passo
Se decidires que preferes um encerramento real e tens um SSD rápido o suficiente para não te importares com dois ou três segundos extra no arranque, segue estes passos:
Em primeiro lugar, abre o Painel de Controlo e navega até Hardware e Som -> Opções de Energia.
Depois, no menu lateral esquerdo, clica em Escolher o que fazem os botões de ligar/desligar.
Seleciona a opção Alterar definições que estão atualmente indisponíveis (pode pedir a tua password de administrador).
Finalmente, retira o visto da caixa Ligar arranque rápido (recomendado) e guarda as alterações.
Desta forma, quando desligares o teu computador, ele irá finalmente ter um sono profundo e reparador, libertando toda a RAM e refrescando o sistema para o dia seguinte.








