Durante anos, a pirataria foi coisa de nicho. Ou seja, era preciso saber onde procurar, e perceber minimamente como funcionavam torrents, trackers privados, ficheiros .srt, seeds, peers e tudo o resto. Quem estava dentro do “meio” achava simples. Mas, para o utilizador comum, era um labirinto.
Do meu lado, ainda me lembro dos tempos do eMule e BT Next, para fazer download de músicas, séries ou filmes. A coisa funcionava muito bem, mas não era certamente o utilizador comum, como o meu pai ou irmão, que iam mexer naquele tipo de programas.
Apesar de não ser nada do outro mundo, era preciso ter um certo nível de habilidade e conhecimento. Hoje em dia? Veio a simplificação. E foi aí que tudo mudou.
IPTV: Quando a pirataria se torna demasiado fácil. A resposta quase nunca falha
Aliás, a simplificação não veio agora, as coisas têm vindo a ficar mais fáceis ano após ano.
Primeiro, tivemos apps como o Popcorn Time, que foram capazes de pegar no conceito de torrent, para o transformar numa experiência mais ao estilo das plataformas de streaming, como é o exemplo da Netflix. Ou seja, entrar na app, escolher uma coisa, e começar a ver no imediato. Tudo isto sem configurações e sem entrar em sites estranhos.
Ou seja, houve um momento, em que qualquer pessoa abria um portátil e conseguia ver filmes ou séries com 2 ou 3 cliques. Isto significa que a barreira técnica começou a desaparecer.
Mas… O Popcorn Time não apareceu do nada.
Antes desta app, havia Kodi (XBMC) que fazia exatamente a mesma coisa, porém com mais alguns passos técnicos a efetuar antes de existir o acesso ao conteúdo multimédia. Ou seja, era preciso add-ons de terceiros, repositórios, configurações feitas à mão, etc… Algum trabalho tinha de ser feito, e apesar de vários guias na Internet, não era qualquer pessoa que se metia a mexer nisto.
Hoje em dia? Temos coisas como o Stremio, que no fundo é uma espécie de Popcorn Time, com esteróides.
Fazes download, instalas (em qualquer aparelho), procuras 2 ou 3 add-ons, e pronto… Tens acesso a tudo.
Além do Stremio, temos também o super popular IPTV Pirata, que antes era complicado, mas agora está acessível a qualquer pessoa. Basta ter uma conta e um link, meter tudo isto numa app, e pronto… Qualquer pessoa tem acesso a milhares de canais a partir de uma simples aplicação focada no streaming.
Sem conhecimento técnico? Não faz mal!
Quando a pirataria deixa de exigir conhecimento técnico e passa a ser um produto quase plug-and-play, capaz de chegar às massas, deixa de passar despercebido às organizações que vivem da distribuição de conteúdo audiovisual.
Aliás, é exatamente por isso que já é possível ver pessoas a comentar a pirataria de jogos de futebol na TV Portuguesa, e já se fala de mudanças nas regras do jogo para que seja possível multar ou até prender clientes finais.
Engraçado ou não, hoje em dia qualquer pessoa consegue ter uma subscrição IPTV Pirata, o que é obviamente nefasto para o mercado.
Quando algo se torna tão simples que parece legítimo…
A linha entre legal e ilegal começa a esbater-se aos olhos do consumidor comum.
Ou seja, se parece uma app normal, se vem numa box que facilmente se encontra no mercado à venda, e se funciona como um serviço de streaming tradicional, a perceção de risco diminui drasticamente. É quase como se fosse um serviço fiável e fidedigno.
Mas, e isto é um grande “mas”, a história mostra que sempre que a pirataria dá um salto em simplicidade, a resposta vem em força. Processos, bloqueios de sites, pressão sobre intermediários, alterações legislativas. Não acaba com o problema, mas redefine as regras do jogo.
No fundo, é um ciclo que já vimos repetir-se várias vezes, e caso não tenhas percebido, as coisas vão mudar agora, muito provavelmente já em 2026.





