Os reatores nucleares continuam a ser um tema que gera muita controvérsia e algum receio. Certamente já ouviste falar de desastres como o de Chernobyl ou Fukushima, que alimentam preocupações sobre a segurança e os resíduos radioativos. No entanto, existe um fenómeno visual que ocorre nestas instalações e que costuma fascinar quem o vê. Afinal porque brilham os reatores nucleares? Se alguma vez te perguntaste a razão para esta cor aparecer, vais perceber que a explicação é mais simples do que parece.
O mistério da luz azul: porque brilham os reatores nucleares
Este fenómeno chama-se radiação de Cherenkov, ou efeito Cherenkov. O nome é uma homenagem a Pavel Cherenkov, um físico soviético que ganhou o Prémio Nobel da Física em 1958 por descobrir e explicar como este processo acontece.
O que provoca este brilho estranho?
Para entenderes o motivo deste brilho, tens de olhar para o movimento das partículas. De acordo com o Departamento de Energia dos EUA, quando partículas com carga elétrica, como eletrões ou protões, atravessam as moléculas de água, provocam uma interrupção. Consequentemente, ocorre uma reação que produz fotões, as partículas de luz.
O resultado final é uma espécie de onda de choque visível de luz azul ou violeta. Embora pareça algo saído de um filme de ficção científica ou algo perigoso, o brilho em si não constitui uma ameaça. Trata-se apenas de um subproduto das atividades que ocorrem no reator, funcionando de forma semelhante ao que verias se houvesse eletricidade a passar dentro de um aquário.
A importância da água no processo
A maioria dos reatores nucleares utiliza água leve. Este sistema é fundamental porque as varetas de combustível, que contêm urânio, precisam de estar submersas para que a sua temperatura seja regulada. Sem esta refrigeração, as varetas poderiam derreter, o que causaria uma catástrofe. Além disso, a água ajuda a controlar a velocidade da reação em cadeia da fissão nuclear.
Outro detalhe crucial é que a luz abranda quando passa pela água. Nesse ambiente, as partículas carregadas conseguem mover-se mais depressa do que a própria luz. É precisamente este facto que gera a reação luminosa que tu vês. Podes imaginar isto como o estrondo sónico de um avião que ultrapassa a velocidade do som, mas neste caso, o resultado é luz em vez de som.
Muito mais do que uma luz bonita
Curiosamente, este efeito não acontece apenas na água. A luz também perde cerca de um terço da sua velocidade ao atravessar vidro, o que significa que o efeito Cherenkov pode ser observado noutros locais. Grandes aceleradores de partículas, como o famoso LHC do CERN, também produzem este brilho devido às velocidades incríveis que as partículas atingem.
Para os cientistas, este fenómeno é extremamente útil. Através do estudo do ângulo e de outras qualidades da luz emitida, os investigadores conseguem obter informações valiosas sobre as partículas envolvidas. Portanto, aquele brilho azul que vês nos vídeos de reatores não é apenas um sinal de atividade nuclear, mas sim uma ferramenta poderosa para a ciência moderna.



