Durante muitos anos, rumores apontaram para um Smartphone Tesla. Essa ideia parece estar morta e enterrada. Mas, a SpaceX está a fazer algo. Não é um smartphone. Mas um dispositivo de IA pode mesmo estar a caminho.
Depois do Tesla Phone durante anos a fio, falou-se de um possível “Starlink Phone”, um smartphone criado pela SpaceX para ligar diretamente aos satélites de Elon Musk. Pois bem, a resposta chegou agora de forma clara e direta. Não, a SpaceX não está a desenvolver um telefone. Mas, isso não significa que Musk esteja fora do jogo do hardware móvel.
Muito pelo contrário.
Não é um telefone. É outra coisa
Foi o próprio Elon Musk a colocar água na fervura, ao responder no X que a SpaceX não está a trabalhar num smartphone. Fim (daquele) rumor.
O detalhe interessante vem logo a seguir. Em declarações anteriores, Musk deixou escapar que qualquer dispositivo móvel criado pelas suas empresas seria “otimizado puramente para executar redes neuronais com o máximo desempenho por watt”.
Isto muda tudo.
Não estamos a falar de mais um telemóvel Android ou iOS. Estamos a falar de um dispositivo pensado de raiz para correr inteligência artificial, localmente ou com apoio da cloud, sem os compromissos de um smartphone tradicional.
Um Grok no bolso?
A ideia começa a ganhar forma quando se olha para o ecossistema de Musk. A SpaceX comprou recentemente a startup de IA xAI, responsável pelo chatbot Grok.
Um dispositivo dedicado permitiria algo que os smartphones ainda não conseguem fazer bem. Executar modelos de IA pesados de forma eficiente, constante e com maior privacidade, sem depender tanto de servidores externos.
Enquanto os telemóveis atuais continuam presos a chips generalistas, um hardware desenhado à volta de redes neuronais podia oferecer uma experiência diferente. Menos apps, menos distrações, mais foco em IA como interface principal.
Ligação direta aos satélites?
Aqui entra o verdadeiro trunfo. Ao contrário de qualquer outro dispositivo de IA no mercado, este poderia ligar-se diretamente à constelação de satélites da Starlink. Aliás, a própria Reuters já avançou que este tipo de hardware estaria pensado para comunicação direta via satélite, algo que a SpaceX já anda a testar em parceria com a T-Mobile.
Na prática, isto significaria internet global, sem torres, sem operadoras tradicionais, sem zonas mortas. Um dispositivo que funciona no meio do nada, no campo, no mar ou em regiões sem cobertura móvel.
O único capaz de fazer tal coisa.
A corrida pelo que vem a seguir smartphone
Musk não está sozinho nesta ideia de ir além do smartphone tradicional. A indústria está obcecada com hardware “AI-first”. A OpenAI trabalha num dispositivo próprio em parceria com Jony Ive. Outras startups tentaram pins, assistentes portáteis e gadgets vestíveis, quase sempre sem sucesso.
O problema é sempre o mesmo. As pessoas dizem que os smartphones são aborrecidos, mas continuam a fazer tudo.
Para resultar, um dispositivo de IA da SpaceX teria de oferecer algo verdadeiramente indispensável. IA local potente, sempre disponível, com ligação global via satélite, pode ser esse fator diferenciador.
Não é para agora.
Antes de mais nada, convém travar o entusiasmo. O próprio Musk diz que isto não é algo imediato. Está “em cima da mesa”, não mais do que isso. Se existir, ainda está numa fase muito inicial.
Mas a ideia está lá.


