Pensavas que não, mas o MacBook barato pode ser a jogada mais importante da Apple em anos.
A forma como a Apple tem jogado o jogo com os seus portáteis tem vindo a mudar, muito, ao longo dos últimos anos. Afinal de contas, o MacBook Air M4 é facilmente o melhor portátil que o dinheiro pode comprar até aos 1000€, e daí para a frente, existem muitas alternativas, e muitos preços diferentes, para ir de encontro à carteira e exigência dos consumidores.
Mas, a realidade é que apesar de todas as mudanças, e de o facto de ter ficado muito mais acessível meter as mãos num Mac, ainda existe um espaço enorme por ocupar no mercado dos portáteis. Um espaço onde o Windows domina, graças à presença de alternativas mais amigas da carteira da HP, Dell, ASUS, MSI, Acer, etc…
Resultado? Um mundo inteiro de estudantes, escolas e utilizadores básicos continuou agarrado aos Chromebooks e a portáteis Windows baratos. Podes achar que é um mercado sem interesse para a Apple, mas é aqui que o jogo muda!
Um MacBook acessível que pode mudar o jogo!
Um MacBook mais acessível é obviamente menos lucrativo para a Apple, porque as margens vão ser sempre mais reduzidas, mesmo que as especificações sejam mais limitadas face aos modelos mais fracos.
Mas… Se a Apple tiver sucesso nesta gama de preços, conquista um mercado com um enorme potencial para o futuro.
Basta pensar na tua própria experiência. Qual foi o primeiro portátil que tiveste? E em que altura da tua vida? Muito provavelmente uma máquina Windows à volta dos 600€ nos teus tempos de escola ou faculdade. Foi a partir dessa máquina que aprendeste tudo, ou quase tudo sobre como se mexe num computador, e a partir daí, sempre tiveste outras máquinas Windows.
Pois… e se o teu primeiro portátil fosse um MacBook? Provavelmente os outros também seriam.
A Apple prefere ganhar menos dinheiro agora, para te fidelizar como cliente. É a estratégia Windows, agora virada para o macOS.
Vai vender?
De acordo com a informação que anda a circular na cadeia de fornecimento, o novo MacBook de baixo custo deverá representar cerca de 25% de todas as vendas de Macs registadas em 2026. Estamos a falar de um único modelo a assumir um quarto do volume total.
Não é pouco. Pelo contrário, é um sinal claro de que existe uma procura gigante por um Mac mais acessível, especialmente numa altura em que os preços do hardware continuam sob pressão, muito por culpa da crise de memória RAM.
As estimativas apontam para envios entre 5.5 milhões e 7.9 milhões de unidades, um número brutal para um produto que ainda nem foi oficialmente apresentado.
Preço baixo com compromissos calculados e aceitáveis.
O segredo aqui é simples. Preço. Fala-se num intervalo entre 600 e 800 euros. Algo que coloca este MacBook numa posição muito mais agressiva do que qualquer outro portátil da Apple até hoje.
Claro que há compromissos. Tudo indica que o modelo chegue apenas com 8 GB de RAM, muito provavelmente numa única configuração. Não é ideal, mas é compreensível num contexto de escassez de memória e controlo de custos.
O processador deverá ser o A18 Pro, um chip pensado para o iPhone, mas com desempenho mais do que suficiente para tarefas do dia a dia. Navegação, trabalho escolar, streaming, produtividade básica. É exatamente aí que este portátil quer viver, e apesar de ser um SoC para iPhone, é extremamente poderoso.
Um problema para a concorrência
Até agora, muitos fabricantes escapavam à pressão de melhorar especificações porque competiam apenas entre si. Um MacBook a este preço muda tudo.
Se a Apple consegue oferecer um portátil funcional, bem construído e com macOS a menos de 800 euros, os restantes vão ser forçados a reagir. Ou seja, este portátil pode mudar tudo, e ainda bem.
No fundo, este MacBook barato pode não ser o mais excitante da Apple. Mas pode muito bem ser o mais importante.



