Há números que, quando aparecem, dão logo vontade de levantar uma sobrancelha. Este é um deles. Ou seja, segundo informações partilhadas por um conhecido leaker, a bateria de 5.088 mAh que equipa o Apple iPhone 17 Pro Max (eSIM) custa à empresa cerca de 12 dólares por unidade, o que por cá significa 10€. Até aqui, tudo normal.
O problema começa quando olhamos para o valor cobrado ao consumidor quando chega a altura de trocar a bateria: 119 dólares, o que em euros fica pelos 100. (Mas, o preço da bateria depende sempre da assistência que escolhes).
Sim, leste bem. Uma bateria que custa 12 dólares a produzir é vendida como serviço de substituição por quase dez vezes mais.
A bateria do iPhone custa 10 euros. A Apple cobra 100!

A informação surgiu numa discussão sobre baterias de silício-carbono, onde o leaker conhecido como Schrödinger deixou escapar este detalhe curioso. Para comparação, uma bateria de silício-carbono com 6.000 mAh custa cerca de 18 dólares, apesar de ser fisicamente mais compacta. Ou seja, mesmo olhando para tecnologias mais avançadas, a diferença de custo continua a ser relativamente pequena face ao que é cobrado ao utilizador final.
No final de 2025, a própria Apple publicou oficialmente os preços de substituição de componentes da gama iPhone 17 através do seu programa de reparações. A bateria do iPhone 17 Pro Max ficou fixada nos tais 119 dólares. Fazendo as contas de forma simples, estamos a falar de uma margem a rondar os 100 dólares por troca, algo próximo de 90%. Assim, mesmo descontando logística, mão de obra e armazenamento, é difícil não chamar isto de exagero.
É aqui que entra o debate clássico.
Por um lado, a Apple tira partido da sua escala brutal para comprar componentes a preços muito baixos. Por outro, usa esse mesmo peso para praticar valores de reparação que muitos consideram pouco razoáveis, sobretudo quando falamos de um componente que se degrada inevitavelmente com o tempo.
Ainda assim, o iPhone 17 Pro Max tem sido elogiado pela sua autonomia. Em testes recentes realizados pela CNET, o topo de gama da Apple ficou em primeiro lugar num comparativo que juntou 35 smartphones diferentes. Um resultado impressionante, sobretudo quando se olha para a concorrência direta.
Mais curioso ainda é o facto de o iPhone 17 base ter ficado lado a lado com o OnePlus 15, apesar de ter uma bateria quase 50% mais pequena. Isto diz muito sobre a otimização do iOS e da forma como a Apple gere consumo energético.
O problema é outro.
Saber fazer bem e cobrar caro não têm obrigatoriamente de andar de mãos dadas. A bateria é um consumível, não um luxo. E quando o custo real do componente é tão baixo, torna-se cada vez mais difícil justificar preços de substituição que parecem feitos para empurrar o utilizador para um novo iPhone em vez de prolongar a vida do que já tem.
No fim do dia, o iPhone continua a oferecer excelente autonomia e eficiência. Mas estes números ajudam a explicar porque é que a política de reparações da Apple continua a ser um tema sensível, especialmente numa altura em que se fala cada vez mais de sustentabilidade, direito à reparação e custos reais para o consumidor.

