Durante anos, os discos rígidos mecânicos foram sendo empurrados para funções secundárias. Primeiro como armazenamento puro barato, e mais tarde, para o canto da sala, quase para o esquecimento.
Sim, são enormes em capacidade, mas são lentos, previsíveis e cada vez mais fora de contexto num mundo dominado por SSD, cloud e cargas de trabalho ligadas à IA. Porém, a Western Digital não concorda com esse desfecho e está a preparar uma resposta curiosa para o final desta década.
No fundo, a ideia é puxar o desempenho dos HDD para mais perto do território ocupado pelos SSD QLC, sem abdicar daquilo que sempre tornou os discos mecânicos relevantes… O seu preço!
Mais cabeças a trabalhar ao mesmo tempo!

A primeira aposta chama-se High Bandwidth Drive. Ou seja, em vez do modelo tradicional, em que cada superfície do disco é lida ou escrita de forma sequencial por uma única cabeça, a Western Digital está a experimentar uma abordagem paralela.
Basicamente, várias cabeças a trabalhar em simultâneo, em múltiplas pistas, como se o disco fosse dividido em vários “canais” ativos ao mesmo tempo.
Na prática, isto permite duplicar imediatamente a largura de banda e cria um caminho claro para escalar o desempenho até oito vezes face aos HDD atuais. De facto, a empresa já tem protótipos nas mãos de alguns clientes para validação, o que indica que a tecnologia está bastante mais próxima da produção do que parece à primeira vista.
Dois braços, o dobro do rendimento
A segunda peça deste puzzle chama-se Dual Pivot Technology. Aqui, a Western Digital redesenhou o sistema de atuação mecânica do disco. Em vez de um único braço com um ponto de rotação central, passam a existir dois braços independentes, cada um com o seu próprio pivô, a operar em paralelo.
O detalhe importante é que, ao contrário de soluções antigas com dois atuadores, esta não sacrifica capacidade. O disco continua a usar toda a área disponível, mas consegue distribuir as operações de leitura e escrita pelos dois braços. O ganho estimado ronda o dobro do desempenho face aos melhores HDD atuais e, quando combinado com o sistema de múltiplas cabeças, o salto total pode chegar a quatro vezes mais I O.
HDD de 100 TB com desempenho “quase SSD”?
O resultado desta combinação é ambicioso. Discos de 3.5 polegadas, perto dos 100 TB de capacidade, com velocidades de acesso e débito que começam a tocar no território dos SSD QLC, mas a uma fração do custo por terabyte.
Menos velocidade, muito menos consumo
Curiosamente, enquanto empurra os HDD para cima em desempenho, a empresa também está a olhar para o outro extremo do mercado. Os chamados Power-Optimized HDD procuram ocupar o espaço entre os discos tradicionais e as soluções de fita magnética.
Continuam a ser discos mecânicos, mas afinados para dados frios, com menos acessos aleatórios e um consumo energético cerca de 20% inferior. A grande vantagem é o tempo de acesso. Em vez de esperar horas, como acontece com tape, estes discos permitem recuperar dados em segundos. Para arquivos de treino de IA e grandes data lakes, esta diferença pode ser decisiva.
Conclusão
Os discos rígidos já não são sexy, nem nunca voltarão a ser para o consumidor comum. Isto a não ser que o SSD encareça mesmo a sério ao longo dos próximos meses.
Mas no mundo dos centros de dados, onde o custo, a capacidade e a eficiência mandam mais do que o marketing, ainda têm muito para dar.

