À primeira vista parece um perfeito absurdo. A Switch 2 está a vender acima das expectativas no Japão, o seu mercado doméstico. Tudo deveria estar a correr bem. Mas, segundo a própria Nintendo, esta realidade está a ter um efeito inesperado. Ou seja, está a pressionar a rentabilidade da consola.
A explicação veio diretamente do presidente da empresa, Shuntaro Furukawa, durante a apresentação dos resultados financeiros do terceiro trimestre.
Vender mais não significa ganhar mais
O problema não está na procura. Está na moeda!

A maioria dos componentes usados na produção da Nintendo Switch 2 é comprada em dólares americanos. No entanto, no Japão, a consola é vendida em ienes.
Assim, com o iene a perder valor face ao dólar, cada unidade vendida no mercado japonês acaba por gerar menos margem para a Nintendo.
Ou seja, quanto mais consolas são vendidas no Japão, maior é o impacto negativo nos lucros operacionais e na margem bruta. Não porque a consola seja barata, mas porque os custos de produção estão indexados a uma moeda mais forte.
É um daqueles casos raros em que o sucesso comercial cria um problema financeiro.
Pokémon e Kirby estão a puxar pela Switch 2
Segundo Furukawa, há duas razões claras para o desempenho acima do esperado no Japão: Pokémon Legends Z-A (edição Switch 2) e Kirby Air Riders.
Estes lançamentos durante o período natalício deram o empurrão final para muitos jogadores japoneses fazerem a transição da Switch original para a Switch 2. Algo que, curiosamente, não está a acontecer ao mesmo ritmo fora do Japão.
Resultado? Vendas fortes, mas margens mais curtas.
O fantasma da memória e o risco do aumento de preços
Este tema surge numa altura particularmente sensível para a Nintendo. O setor tecnológico continua a ser afetado por escassez de memória e armazenamento, algo que já provocou perdas significativas em valor bolsista no final de 2025.
Furukawa tentou desvalorizar o impacto a curto prazo, afirmando que não quer reagir de forma exagerada a tendências que podem ser temporárias. Ainda assim, admitiu que, se a pressão dos custos se mantiver, um aumento de preço da Switch 2 não está fora de cima da mesa.
E fora do Japão?
Apesar de tudo isto, a Switch 2 continua a vender muito bem a nível global. Só em 2025, tivemos 17.37 milhões de unidades a voar das prateleiras, o que confirma que a consola está longe de abrandar.
Mas, se a moeda não ajuda, os componentes não ficam mais baratos e a procura continua forte, alguém vai acabar por pagar a fatura. E, como quase sempre acontece, dificilmente será a empresa.

