À primeira vista, parece um sonho. Pagar uma vez e ter IPTV para sempre. Especialmente quando é algo que aparece a um valor “porreiro”. Ficas com um serviço sem mensalidades, sem renovações, o que claro está, significa sem chatices. É ligar e ver. Nunca mais tens de te preocupar com o serviço que usas.
O problema é que, no mundo da IPTV, especialmente da IPTV pirata, os planos vitalícios são quase sempre um enorme sinal vermelho.
Há um motivo simples para isso.
IPTV Pirata é sempre algo que pode desaparecer amanhã

Portanto, ao contrário da Netflix, DAZN ou de um operador tradicional, a maioria dos serviços de IPTV pirata vive numa zona cinzenta, quando não totalmente ilegal. Não há contratos, não há sede conhecida, não há obrigação de continuidade.
Muitas vezes nem há suporte técnico.
Hoje funciona. Amanhã… puff.
Já vimos isto acontecer várias vezes. Serviços populares desaparecem de um dia para o outro, sites ficam offline, domínios são apreendidos ou simplesmente abandonados.
Ou seja, quem pagou um plano “para a vida” fica sem o serviço, e sem o dinheiro.
Porque é que os planos vitalícios jogam contra o utilizador?
Há três problemas graves neste modelo.
Falta total de responsabilidade
Quando o operador recebe tudo à cabeça, acabou o incentivo. Não há mensalidades para perder, não há clientes a cancelar, não há pressão para manter qualidade, servidores estáveis ou apoio técnico.
Ou seja, mesmo que a coisa não seja apanhada e consequentemente fechada pelas autoridades. É muito provável que o serviço perca qualidade e acabe por desaparecer.
Zero garantias de continuidade
Num serviço normal, a subscrição mensal obriga o operador a manter o serviço vivo. Caso contrário, perde receitas.
Num plano vitalício, isso não existe. O dinheiro já entrou. Se o serviço morrer passado seis meses, do ponto de vista do operador, o negócio já foi feito.
Risco de clones e burlas após encerramentos
Há outro detalhe curioso, e perigoso. Quando um serviço IPTV conhecido fecha, surgem rapidamente “novos” sites com nomes quase iguais, logótipos parecidos e promessas de continuidade.
Assim, a ideia é apanhar utilizadores desesperados que procuram o serviço antigo e fazê-los pagar outra vez. Muitas vezes, para outro “plano vitalício”.
A realidade em Portugal
Em Portugal, onde a IPTV pirata continua a crescer apesar das operações policiais e dos bloqueios, os planos vitalícios são ainda raros, mas cada vez mais comuns. Existem cada vez mais serviços de IPTV, e como tal, há cada vez mais concorrência.
Esta é uma excelente forma de saltar à vista do consumidor, que já se está a virar para o IPTV Ilegal porque quer gastar pouco dinheiro.
No fundo, quanto maior a visibilidade de um serviço, maior a probabilidade de ser alvo de encerramento. Além disso, quanto mais agressiva for a venda de planos vitalícios, maior a pressa em encaixar dinheiro antes disso acontecer.
Conclusão
Antes de mais nada, no papel, pagar uma vez e ter IPTV “para sempre” parece genial. Na prática, é quase sempre dinheiro atirado ao ar.
Em suma, num mercado sem regras, sem garantias e sem rosto, os planos vitalícios não protegem o utilizador. Ou seja, protegem quem está do outro lado. Vais sempre perder. É certo como o destino.

