No mundo da tecnologia, nem tudo o que brilha é ouro, e nem todos os prémios significam contas bancárias recheadas. O caso da iRobot é, talvez, um dos mais curiosos de 2026. Enquanto a nível global a marca atravessa um dos períodos mais conturbados da sua história, em Portugal o cenário é oposto: os consumidores continuam a eleger a marca como a sua favorita, garantindo-lhe o prémio Escolha do Consumidor 2026.
iRobot em crise mas…
O paradoxo da confiança
É impossível ignorar o elefante na sala. No último ano, a iRobot enfrentou tempestades perfeitas. Desde o bloqueio regulatório da venda à Amazon até à recente reestruturação financeira que culminou na aquisição pela Picea Robotics. Entretanto, os portugueses parecem imunes ao ruído financeiro. Pelo quinto ano consecutivo, a marca venceu no segmento de limpeza doméstica, batendo outros sete concorrentes.

Portanto, o que explica este fenómeno? A resposta curta: legado e fiabilidade. Apesar das dificuldades corporativas, o hardware que chega às casas portuguesas continua a cumprir o que promete. Com um score de satisfação de 81%, os utilizadores mostram que, na hora de decidir, a performance do Roomba no tapete da sala pesa mais do que as notícias sobre a bolsa de valores.
Qualidade que resiste à incerteza
Durante a avaliação, que contou com a opinião de mais de 12 mil consumidores portugueses, os pontos fortes foram claros:
Inovação tecnológica: Mesmo com menos orçamento para R&D do que os gigantes chineses, o mapeamento da iRobot continua a ser visto como um dos mais precisos.
Eficácia e Durabilidade: A perceção de que um Roomba é um “tanque” que dura anos continua bem viva no mercado nacional.
Assistência e Proximidade: Num setor onde muitas marcas aparecem e desaparecem, a iRobot manteve uma estrutura sólida de suporte que transmite segurança a quem investe centenas de euros num robot.

Um novo fôlego com sotaque asiático?
Entretanto com a conclusão do processo de aquisição pela Picea Robotics prevista precisamente para este mês de fevereiro de 2026, a iRobot entra numa nova era. Se por um lado a marca perdeu a sua independência americana, por outro ganha agora uma estabilidade financeira e uma capacidade de produção que lhe faltava para combater a concorrência agressiva de marcas como a Roborock ou a Dreame.
Consequentemente, este prémio de Escolha do Consumidor surge num momento crítico. Funciona como um sinal de que a marca ainda tem o trunfo mais valioso de todos: a lealdade do cliente.

