Durante muito tempo, falar de browsers com inteligência artificial parecia mais marketing do que outra coisa. No fundo, é a história da curta vida da IA até aqui. Tudo é IA, mas no final do dia, ninguém sabe ainda muito bem o que a IA anda a fazer no dia-a-dia.
Mais concretamente, pegava-se num browser normal, implementava-se um chatbot, mudava-se um bocadinho o design e pronto. Chamava-se a isso inovação. Mas, a verdade é que algo começou mesmo a mudar. Aliás, talvez estejamos finalmente a olhar para o sítio certo para a IA entrar a sério no nosso dia a dia.
O browser já não é só um browser!

A verdade é… O browser está no centro de tudo. Seja no computador ou no smartphone.
É ali que fazemos login, trabalhamos, comunicamos, pesquisamos, consumimos conteúdo e gerimos a nossa identidade digital. Funciona em qualquer sistema operativo, é atualizado constantemente e já tem acesso a permissões críticas.
Agora junta-se a isto a inteligência artificial. De facto não apenas IA na cloud, mas simi uma combinação de IA local, cloud e recursos intermédios.
A IA não quer viver só na cloud
Durante anos, a IA significou enviar tudo para grandes centros de dados. Perguntas, ficheiros, contexto, tudo para fora do dispositivo que tinhas nas tuas mãos.
Isso está a mudar, porque fazer crescer centros de dados está tudo menos barato.
Ou seja, os modelos estão mais pequenos, mais eficientes e capazes de correr localmente. Além disso, começam a surgir sistemas que coordenam vários modelos ao mesmo tempo, cada um a tratar da parte do problema para a qual está mais bem preparado.
E aqui surge a pergunta-chave. Quem decide onde cada parte do trabalho é feita?
O cérebro da decisão tem de estar perto do utilizador

Decidir o que corre localmente, o que vai para a cloud, o que usa recursos internos de uma empresa e o que precisa de modelos maiores não pode ser um processo cego. Essa decisão faz muito mais sentido perto do utilizador.
E é aqui que o browser entra como peça central. Ele sabe quem és, sabe o que estás a fazer, conhece o hardware disponível e gere tudo.
Menos consumo, menos dependência, mais controlo
Quando o browser decide onde cada tarefa é executada, o resultado é imediato.
- Menos latência, energia consumida, mais controlo.
Num mundo onde já se discute seriamente o impacto da IA nas redes elétricas e na infraestrutura global, isto deixa de ser teoria e passa a ser necessidade.
O hardware finalmente acompanha a ideia
Durante muito tempo, esta abordagem não era viável porque o hardware não chegava. Hoje chega. Ou pelo menos começa a chegar a esse patamar.
PCs e smartphones modernos já têm CPUs mais potentes, GPUs dedicadas e NPUs pensadas para IA. O dispositivo deixa de ser um terminal burro e passa a ser parte ativa do processamento.
O Chrome está a dar o sinal
O Chrome começou a integrar IA de forma mais profunda, permitindo não só correr modelos numa barra lateral, mas também executar tarefas que interagem com recursos locais.
No final do dia, o browser já não quer apenas mostrar páginas. Quer ser o sítio onde o trabalho acontece.
O futuro da IA tem de ser invisível
Durante anos achámos que a IA ia entrar na nossa vida através de aplicações novas, suites de produtividade ou ferramentas específicas. Tudo novo, e tudo a precisar de uma adaptação por parte do utilizador.
Mas… Isso é errado. A integração mais lógica, mais invisível e mais poderosa da inteligência artificial pode acontecer exatamente onde já passamos grande parte do tempo.
O browser é uma excelente porta de entrada, porque chega a todos os utilizadores. Sejam eles novos ou mais idosos.
A ideia é que tudo comece a ser normal. Por isso, faz todo o sentido.

