Todos nós olhamos com algum desdém para os radares de velocidade, especialmente os novos de velocidade média. Estes mais recentes são irritantes, tiram a “diversão” de acelerar e obrigam a cumprir o limite durante quilómetros seguidos. Mas há uma verdade difícil de ignorar: funcionam.
Em vez de travar só em cima do radar, os condutores acabam por respeitar a velocidade durante toda a extensão do percurso controlado. Onde são implementados, as coisas mudam, normalmente para melhor.
Aliás, se não sabias, já existem troços com 5 quilómetros, ou até mais, a serem monitorizados por radares de velocidade média em estradas portuguesas. Incluindo autoestradas. O que levanta uma pergunta simples e incómoda ao mesmo tempo.
Porque não fazer algo mais… Exigente nas autoestradas. Usando as portagens para controlar a entrada e saída de cada veículo?
Então afinal, já existem radares nas portagens?

Não.
A Via Verde já esclareceu várias vezes que não existem radares de velocidade nas portagens, nem nos corredores Via Verde, nem nas cabines tradicionais.
Além disso, nem a Via Verde nem as concessionárias, como a Brisa, têm qualquer competência legal para fiscalizar o trânsito. Não passam multas, não medem velocidades e não comunicam infrações às autoridades.
Essa responsabilidade pertence exclusivamente às forças de segurança, nomeadamente à GNR, através da Brigada de Trânsito, e às restantes entidades de viação.
Por isso, sempre que aparece a conversa de que “há radares em todos os corredores Via Verde”, estamos perante um boato. Nada mais.
Agora vem a pergunta incómoda… E porque não? Os de velocidade média faziam todo o sentido!
Se as portagens já têm câmaras, sistemas automáticos, leitura de matrículas e registo exato de entradas e saídas, porque é que não existe controlo de velocidade média entre portagens? Especialmente em troços onde o excesso de velocidade é regra e não exceção.
Seria uma forma extremamente eficaz de controlar abusos, mesmo que os condutores fizessem uma pausa numa estação de serviço pelo meio. Afinal, é precisamente nesses troços longos e “tranquilos” que muitos abusam mais do acelerador.
Tecnologia existe. Vontade política nem tanto
Portugal já usa radares de velocidade média noutros contextos. O sistema está mais do que testado. Funciona. Reduz velocidade, e claro, reduz acidentes.
Aplicá-lo nas autoestradas seria tecnicamente simples. Legalmente exigiria ajustes, claro. Mas nada de impossível.
O que falta não é tecnologia. É decisão.
Até porque há um detalhe que ninguém ignora: as multas dão jeito. São dinheiro a entrar nos cofres do Estado.
Mas… Se resulta, porque é que ainda não está a ser feito?

