Sabes o que podem fazer com o papel que deixaste no Multibanco?

É um dos gestos mais automáticos do dia a dia. Vais ao Multibanco, levantas dinheiro ou fazes uma consulta, a máquina dá aquele pequeno papel, dás uma olhadela rápida ao saldo e, quase sem pensar, amarrotas o talão e atiras para o cesto do lixo que está logo ali ao lado. Ou pior, deixas ficar na ranhura. Parece inofensivo, certo? Afinal, o papel não tem o teu PIN escrito. Mas a verdade é que esse pequeno pedaço de papel no Multibanco pode ser a peça que faltava para um burlão conseguir acesso à tua conta. O perigo não está no que o papel que deixaste no multibanco permite fazer diretamente, mas sim na informação que ele entrega de bandeja a quem sabe o que procurar.

O que é que está, afinal, naquele papel que deixaste no Multibanco? 

máquinas Multibanco, levantar dinheiro
Woman using ATM holding wallet an pressing the PIN security number on the keyboard automatic teller machine

Podes achar que o talão é inútil, mas para um criminoso especialista em engenharia social, é uma mina de ouro de metadados. Mesmo que o número do teu cartão apareça com asteriscos (os famosos 4 últimos dígitos visíveis), o talão contém:

  • O teu saldo contabilístico e disponível.
  • A data e hora exata da operação.
  • A localização do terminal.
  • O montante levantado.
  • Por vezes, parte do número da conta ou referência da transação.

O perigo da Engenharia Social

O maior risco não é clonarem o teu cartão com o papel, é usarem essa informação para te enganar a ti. Imagina este cenário:

Alguém apanha o teu talão no lixo. Vê que levantaste 20 euros às 14:30 e que tens um saldo elevado. Horas depois, ou no dia seguinte, recebes uma chamada. Do outro lado, alguém identifica-se como sendo do teu banco.

Para ganhar a tua confiança, eles usam os dados do talão: “Estamos a ligar para confirmar uma movimentação. O senhor levantou 20 euros na máquina X às 14:30, correto? O cartão termina em 1234?”

Como eles têm dados reais e precisos, tu baixas a guarda e acreditas que é mesmo o banco. A partir daí, é fácil pedirem-te para confirmar dados de segurança, códigos enviados por SMS ou até credenciais de acesso à app, alegando uma falha de segurança. Sem o talão, eles não teriam esta credibilidade inicial.

Tornas-te um alvo preferencial

Além das burlas telefónicas, existe um risco mais básico. Criminosos que vigiam zonas de Multibanco podem verificar os papéis no lixo para identificar quem tem saldos elevados.

Se deixares um talão que mostra que tens muito dinheiro na conta, podes tornar-te um alvo marcado para roubos físicos ou esquemas mais elaborados no futuro. É uma forma de eles filtrarem as vítimas que valem a pena.

Carregar em cancelar depois da operação no multibanco pode sair caro

O que deves fazer então?

A solução é muito simples e passa por mudar um pequeno hábito.

A melhor opção: Escolhe sempre Não imprimir talão ou Consulta no ecrã. Hoje em dia, podes consultar todos os movimentos na app do teu banco no telemóvel segundos depois. É mais ecológico e muito mais seguro.

Se precisares mesmo do papel: Guarda-o na carteira. Nunca o deites no lixo junto à máquina ATM. Leva-o para casa e, se já não precisares dele, rasga-o em pedaços pequenos antes de o deitar fora (de preferência no lixo da reciclagem de papel da tua casa, não na rua).

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Catarina Couto
Catarina Couto
Apaixonada por tecnologia desde que usou o primeiro Nokia com ecrã monocromático, começou a escrever sobre gadgets ainda nos tempos da faculdade. Cresceu entre fóruns, blogs e lançamentos de telemóveis e nunca mais largou o mundo digital. Adora testar novos dispositivos, descobrir truques escondidos nos smartphones e simplificar a tecnologia para quem a usa no dia a dia.

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