Vender futebol na Europa é complicado, isso é inegável. Mas é ainda mais difícil em Portugal, onde os ordenados são baixos, e a paixão pela pirataria é enorme. Hoje em dia, se fores jantar com 10 amigos, é bem provável que 7 ou 8 tenham uma subscrição a um qualquer serviço de IPTV pirata para ver futebol, F1, etc… O que torna a missão destas plataformas complicadíssima.
Mas, se formos mesmo muito honestos, no final do dia é completamente normal. As plataformas de streaming continuam muito focadas em fazer dinheiro, e não em oferecer o melhor produto possível.
É exatamente por isso que a DAZN parece querer mudar as regras do jogo.
DAZN tem estratégia para crescer e fugir aos piratas

Portanto, a DAZN continua a insistir numa ideia muito clara. O futuro do desporto não passa apenas por transmissões em direto. Onde o cliente liga a TV, vê o jogo, e depois volta para a sua vida normal.
Em vez disso, passa por plataformas completas, onde o streaming é apenas uma peça do puzzle. Ou seja, uma estratégia onde o consumidor quer de facto olhar para o produto no seu todo, e não para apenas uma pequena parte.
Quem o diz é o próprio CEO global da empresa, Shay Segev, que voltou a garantir que 2026 será o primeiro ano verdadeiramente lucrativo da DAZN, após mais de uma década de investimento pesado, que já ultrapassa os 7.3 mil milhões de dólares.
Streaming é só o início
A estratégia da DAZN está a mudar. O objetivo deixou de ser apenas “ver jogos” e passou a ser criar um ecossistema completo à volta do desporto.
Na visão da empresa, o utilizador deve conseguir fazer tudo no mesmo sítio:
- Ver jogos em direto
- Consultar estatísticas e resultados
- Apostar (onde é legal)
- Comprar merchandising
- Comprar bilhetes
- Interagir com outros fãs
É exatamente por isso que a DAZN tem vindo a apostar em modelos freemium. Ou seja, conteúdos gratuitos com publicidade, comunidades digitais e integração de apostas desportivas.
O streaming continua a ser o centro de tudo, mas já não vive sozinho.
Futebol continua a mandar!
Apesar de toda a conversa sobre diversificação, há uma verdade que não muda. O futebol continua a ser o pilar central da DAZN.
A plataforma é atualmente uma das maiores operadoras globais de futebol, com direitos de ligas como a LaLiga, Bundesliga, Serie A, ligas francesa, belga e japonesa, além da parceria direta com a FIFA.
Aliás, o Mundial de Clubes foi apontado como um momento decisivo para a marca. Pela primeira vez, uma competição dessa dimensão foi transmitida globalmente por uma única plataforma, gratuitamente, em mais de 200 mercados. O impacto foi tal que reforçou a relação entre DAZN e FIFA, abrindo caminho para novos projetos conjuntos.
O problema da pirataria continua…
Se há tema em que a DAZN não facilita no discurso é a pirataria. Como é óbvio, não é possível sustentar o negócio quando quatro pessoas veem por cada uma que paga.
Foi exatamente isso que levou a empresa a recuar em mercados como França, onde a pirataria tornou inviável o modelo tradicional de direitos televisivos. Segundo a DAZN, sem proteção de conteúdo, não há preços baixos que salvem o sistema.
Ainda assim, a empresa admite que os preços elevados afastam utilizadores, e que é por isso que está a testar novos modelos. Entre eles, transmissões com menor qualidade, conteúdos exclusivos para smartphone, eventos gratuitos e planos mais baratos com publicidade.
O objetivo é simples… baixar a barreira de entrada sem destruir a sustentabilidade do negócio.
- Nota: Fica a faltar ainda a possibilidade de pagar jogo a jogo, em vez de subscrever a plataforma inteira. Uma ideia que continua a não ser implementada nos mercados Europeus.
Conclusão
A DAZN já não quer ser apenas “a Netflix do desporto”. Quer ser o sítio onde o adepto vive o desporto, antes, durante e depois dos jogos.
Se vai resultar? 2026 será o ano da verdade.

