Se já olhaste para trás da TV, do router ou de uma box e viste uma porta a dizer “LAN” (ou “Ethernet”, parabéns: acabaste de tropeçar numa das confusões mais comuns do mundo da tecnologia doméstica. E sim isto é daqueles temas que parecem coisa de nerd, até ao dia em que compras cabos LAN, chegas a casa… e não encaixa, ou então encaixa mas a velocidade fica miserável.
Vamos descomplicar: Cabos LAN e Ethernet estão relacionados, mas não são sinónimos.
Primeiro: o que é “LAN” afinal?
LAN significa Local Area Network: basicamente, a tua rede local (casa, escritório, loja, etc.). “LAN” descreve o tipo de rede, não um cabo específico.
Por isso, quando alguém diz cabo LAN, na prática está a usar um termo que serve para qualquer cabo que sirva para ligar coisas numa rede local. E aqui entra o detalhe importante: um cabo Ethernet é um tipo de cabo usado numa LAN, mas nem tudo o que pode ser usado numa LAN é Ethernet. Uma LAN também pode usar fibra ótica, por exemplo, dependendo do cenário.
Então… o que é um cabo Ethernet?
Ethernet é uma tecnologia/standard de rede com regras bem definidas sobre como os dados são transmitidos em redes com fios. Essas regras são definidas pela família de normas IEEE 802.3.
Na vida real, quando falamos de “cabo Ethernet” em casa, quase sempre estamos a falar de: cabo de cobre de pares entrançados (os “Cat5e / Cat6 / Cat6a / …”) com um conector modular de 8 pinos (o famoso “RJ45”, já lá vamos). O problema é o conector (RJ45… que muitas vezes nem é “RJ45”).

A maioria das TVs, routers, boxes e PCs modernos usa a entrada de rede com o conector que toda a gente chama RJ45.
Mas aqui vai a nerdice útil: tecnicamente, o que usamos em Ethernet é, muitas vezes, um 8P8C (o termo “RJ45” ficou popular, mas não é rigoroso em muitos casos). Na prática? Toda a gente diz RJ45 e toda a gente entende.
O que interessa mesmo é isto:
Se o teu cabo não tiver essa ficha (a tal “ficha de rede” com clip), não entra na porta Ethernet/LAN da TV/router.
E sim: em muitos equipamentos, a porta aparece escrita como LAN e Ethernet porque, no uso doméstico, é basicamente “a mesma porta” para o mesmo tipo de cabo.
“Cat5e, Cat6, Cat7”: o que muda na prática?
As categorias (Cat) são uma forma rápida de perceber capacidade de desempenho do cabo (largura de banda, tolerância a interferências, etc.). E isto está ligado ao mundo dos standards de cablagem estruturada, como os da série TIA-568 (muito usada em edifícios/escritórios).
Em linguagem mais simples:
Cat5e: ainda serve muito bem para 1 GbE (internet “normal” + streaming).
Cat6 / Cat6a: mais “future-proof”, melhor para ambientes com mais ruído/interferência e para quem quer redes mais rápidas em casa.
Cat7/Cat8: já entra em terreno onde muita gente compra porque sim, mas em casa pode ser overkill (e às vezes com compatibilidades/terminações que não valem a chatice).
Se tens dúvidas e queres uma escolha segura: Cat6 costuma ser o ponto ideal para a maioria das casas.
Porque é que às vezes encaixa tudo e mesmo assim a net fica horrível?
Porque mesmo com standards, o desempenho no mundo real pode cair por razões bem chatas:
- comprimento (há limites típicos em cablagem de cobre; o clássico “até ~100 m por tramo” aparece constantemente em normas e boas práticas)
- cabos dobrados/entalados
- interferência eletromagnética (passar junto a cabos de energia, por exemplo)
- fichas mal cravadas ou cabos de qualidade duvidosa
Ou seja: podes ter internet boa no router e mesmo assim levar uma experiência miserável na TV, não porque a operadora é má, mas porque o cabo/instalação está a estrangular tudo.

