Comprar monitores caros é giro. Mas pode não ser inteligente

Comprar tecnologia cara continua a ser quase um reflexo automático. Há a ideia instalada de que, quanto mais caro, melhor. Nos monitores, isso também acontece. Vês um OLED topo de gama, 240 Hz, resolução absurda, marketing cheio de palavrões técnicos… e pensas logo que é ali que está a verdadeira experiência.

É completamente normal, e no lado dos monitores OLED, é inegável que a experiência é outra. O problema é que, na prática, a maior parte das pessoas está a pagar muito mais do que aquilo que realmente precisa.

Monitores topo de gama são incríveis… mas não para toda a gente

Não há como negar. Os monitores mais caros do mercado são tecnicamente impressionantes. Painéis OLED com contraste perfeito, tempos de resposta quase instantâneos, resoluções elevadíssimas e taxas de atualização que fazem as delícias de qualquer entusiasta.

Para gaming competitivo extremo, trabalho profissional em imagem ou simplesmente para quem quer “o melhor do melhor”, fazem sentido. O problema é que esse “melhor” tem um custo muito pesado e, mais importante ainda, traz retornos cada vez mais pequenos.

Hoje em dia tens monitores IPS LCD a menos de 300€, que são incríveis. Monitores que, há 4 ou 5 anos atrás, custariam mais de 600€ ou 700€. Precisas mesmo de um monitor OLED? A verdade é não. Especialmente porque os monitores realmente especiais a ter como base esta tecnologia, ainda são um autêntico assalto a qualquer conta bancária.

É um bocadinho como aquela história de quando passas de 60 Hz para 120 Hz, a diferença é enorme. Quando saltas de 120 Hz para 144 Hz, ainda se nota. A partir daí, a melhoria começa a ser cada vez menos óbvia para a maioria das pessoas. O mesmo acontece com resolução, brilho ou até com certos extras que parecem espetaculares na ficha técnica, mas que pouco ou nada mudam no uso diário.

O preço sobe muito mais rápido do que o valor real

Um monitor premium pode facilmente custar três, quatro ou cinco vezes mais do que um modelo “mais barato”. E não estamos a falar de tamanhos gigantes. Há monitores de 27 polegadas a custar mais de 1.000 euros sem grande esforço.

O problema não é só o preço alto. É o facto de que esse dinheiro extra raramente se traduz numa experiência proporcionalmente melhor. Há ganhos, claro, mas são incrementais.

Para a maioria dos utilizadores, esse dinheiro estaria muito melhor aplicado noutras áreas do setup… ou simplesmente poupado.

Os monitores baratos já não são maus como antigamente!

Aqui é que está o ponto-chave. O mercado mudou muito nos últimos anos.

Funcionalidades que antes eram exclusivas de monitores caros tornaram-se banais. Taxas de atualização de 120 Hz ou 144 Hz, tempos de resposta decentes, bons painéis IPS ou VA e resoluções adequadas estão hoje disponíveis a preços muito mais acessíveis.

Um monitor bem escolhido na gama média ou até baixa já oferece uma experiência excelente para trabalho, consumo de conteúdo e até gaming. Para 90% das pessoas, a diferença para um modelo premium vai ser mínima no dia a dia.

Comprar bem é perceber o que realmente precisas

O verdadeiro “investimento inteligente” não é comprar o monitor mais caro. É comprar o monitor certo.

Assim, se jogas casualmente, trabalhas no computador e vês conteúdos multimédia, um bom painel a preço controlado vai servir-te perfeitamente durante anos. Os monitores topo de gama continuam a existir e fazem sentido em nichos muito específicos, mas deixaram de ser a escolha lógica para a maioria das pessoas.

Em suma, hoje, gastar menos não significa abdicar de qualidade.

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Nuno Miguel Oliveira
Nuno Miguel Oliveirahttps://www.facebook.com/theGeekDomz/
Desde muito novo que me interessei por computadores e tecnologia no geral, fui sempre aquele membro da família que servia como técnico ou reparador de tudo e alguma coisa (de borla). Agora tenho acesso a tudo o que é novo e incrível neste mundo 'tech'. Valeu a pena!

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