Durante muito tempo, as burlas digitais tinham um padrão fácil de reconhecer: um SMS estranho, um email suspeito ou uma chamada de um número desconhecido. O problema é que isso já não chega para nos proteger. Os esquemas evoluíram e alguns já nem precisam de contacto direto. Um dos que mais está a preocupar especialistas em segurança é conhecido como toque fantasma. O nome parece inofensivo, mas o método é tudo menos isso: basta alguém estar suficientemente perto de ti para te roubar dinheiro, sem empurrões, sem avisos e sem que percebas o momento exato em que acontece.
Onde acontece o toque fantasma?
Este tipo de fraude surge sobretudo em locais cheios de gente, onde a proximidade é normal e ninguém estranha que alguém passe demasiado perto. Transportes públicos, centros comerciais, lojas cheias ou ruas movimentadas são o cenário ideal.

O que está realmente a acontecer
Ao contrário de outras burlas, aqui não há links nem mensagens. O esquema baseia-se na tecnologia NFC, usada para pagamentos por aproximação no telemóvel e que muita gente mantém sempre ativa.
O burlão atua normalmente com dois smartphones. Com um deles, aproxima-se discretamente do teu bolso, mochila ou da mão onde seguras o telemóvel. Não precisa de tocar em ti. Basta a proximidade. Ao mesmo tempo, com o segundo telemóvel, está a finalizar um pagamento.
O resultado é simples e brutal a compra é feita, mas quem paga és tu.
Tudo isto acontece em poucos segundos.

Porque é tão perigoso
Este esquema assusta porque foge ao padrão clássico das burlas. Não depende de distração online nem de erros óbvios. Depende apenas de contexto e tecnologia.
Há três fatores que o tornam especialmente difícil de detetar. Em primeiro lugar não há contacto físico evidente. Para além disso não surge nenhum aviso imediato. Entretanto acontece em ambientes normais do dia a dia
Muitas vítimas só percebem horas depois, ao consultar a conta bancária ou a app do banco.
Quem corre mais risco
Não é preciso ser descuidado para cair neste esquema. Estão mais expostas as pessoas que usam pagamentos por aproximação com o telemóvel, mantêm o NFC sempre ligado, andam frequentemente em transportes público e guardam o smartphone em bolsos exteriores ou mochilas.
Ou seja, muita gente sem o saber.
Como reduzir o risco
Não é preciso deixar de usar pagamentos digitais, mas convém adotar alguns hábitos simples: desligar o NFC quando não está a ser usado, evitar bolsos exteriores em locais cheios, ativar notificações imediatas de pagamentos e exigir autenticação biométrica sempre que possível
São pequenos gestos que não afetam o conforto, mas dificultam muito este tipo de ataque.

