MB Way e Burlas: A culpa é do banco ou tua? (A resposta vai doer)

Imagina o cenário: recebes uma notificação no telemóvel. Pagamento autorizado: 500€. O teu coração falha uma batida. Tu não compraste nada. Em pânico, ligas para o banco convicto de que, sendo uma fraude óbvia, estás protegido e o dinheiro volta para a conta num estalar de dedos. Pára tudo. É aqui que o mundo encantado da segurança bancária colide violentamente com a realidade da lei. A resposta curta sobre se vais reaver o dinheiro? Depende. A resposta longa? Provavelmente, vais ter problemas. Muitos portugueses desconhecem a diferença vital entre Roubo e Negligência. E é, infelizmente, nesta última palavra que os bancos se apoiam para recusar milhares de reembolsos. Então de quem é a culpa quando se trata do MB Way e burlas?

MB Way e Burlas: “Foste tu ou foi ele?”

Para o banco (e para a lei), existem essencialmente dois tipos de burla. E saber a diferença vale dinheiro:

1. A Transação Não Autorizada (O Banco Paga)

Isto acontece quando o sistema falha ou é violado sem a tua intervenção direta.

O Cenário: Alguém clonou o teu cartão num multibanco duvidoso em Bali ou hackeou a base de dados de uma loja online onde compraste uns ténis o ano passado.

A Realidade: Tu tinhas o cartão no bolso, não deste o PIN a ninguém e o dinheiro desapareceu.

O Veredicto: Aqui, a culpa é do sistema. O banco tem de te devolver o dinheiro (geralmente até ao final do dia seguinte).

2. A Negligência (Tu Pagas)

É aqui que caem 90% das burlas modernas (o famoso “Olá Pai/Mãe”, o Phishing da EDP, ou as vendas falsas no OLX via MB Way).

O Cenário: Tu recebeste um SMS, clicaste num link e inseriste os teus dados; ou alguém te ligou e tu, enganado pela lábia do burlão, validaste uma notificação na app ou deste um código de levantamento.

A Realidade: O banco lava as mãos.

Porquê? Porque, tecnicamente, foste tu que autorizaste. O sistema do banco perguntou: “Queres fazer isto?”. E tu, mesmo que manipulado, disseste “Sim”. Aos olhos da lei, isto é considerado negligência grosseira, e o banco não é obrigado a cobrir os erros dos clientes.

O MB WAY: O Campo de Batalha

O MB WAY é prático, mas tornou-se a ferramenta preferida dos burlões precisamente por causa da questão da negligência.

Entretanto o esquema clássico continua a fazer vítimas: o burlão diz que te quer pagar e convence-te a ir ao Multibanco “adicionar o número dele” ou pede-te um código para “receber o dinheiro”. Se forneces o código de levantamento ou associas o número de outra pessoa à tua conta, estás voluntariamente a dar acesso ao teu dinheiro.

O argumento do Banco é implacável: “O cliente entregou a chave do cofre ao ladrão.” O Resultado: O dinheiro não volta.

Como te podes proteger (mesmo)?

A linha que separa o reembolso do prejuízo total é muito fina. Para estares do lado seguro da trincheira:

Nunca valides nada à pressa: Entretanto os burlões usam o gatilho da urgência (“A sua conta vai ser bloqueada agora!” ou “O meu filho precisa de dinheiro já!”). Se te pedirem rapidez, desliga. Respira. Confirma.

A Autenticação Forte não é um escudo mágico: O FaceID ou a impressão digital são seguros, mas burros. Se fores tu a colocar o dedo para autorizar uma transferência para um burlão, a operação é tecnicamente válida e segura. O sistema validou que foste tu.

A tua única salvação (Guarda tudo): Se o pior acontecer, a tua única hipótese de reaver o dinheiro mesmo que o banco recuse inicialmente é provar que a burla foi tão sofisticada que não houve negligência da tua parte (o que é difícil, mas possível). Prints das conversas, registos de chamadas e a queixa na Polícia/GNR são obrigatórios para sequer iniciares a discussão.

Resumindo: O banco guarda o teu dinheiro, mas a chave da porta és tu. Se a entregares a alguém, não esperes que o banco pague a conta.

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Ana Oliveira
Ana Oliveirahttp://leak
Descobriu a paixão pela tecnologia entre aulas de engenharia e fóruns de gadgets, onde passava horas a debater especificações e novidades. Gosta de explicar tecnologia de forma simples, direta e prática como se estivesse a falar com amigos. É fascinada por tudo o que envolva inovação, privacidade digital e o futuro dos smartphones. Quando não está a escrever, está a testar apps, a trocar de launcher ou a explorar menus escondidos no Android.

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