Uma simples placa num posto self-service foi suficiente para lançar a confusão. O mesmo serviço, o mesmo tempo, a mesma máquina. Mas um detalhe muda tudo… Pagar em dinheiro sai mais caro do que pagar com cartão. É legal? É abuso? Ou é apenas mais um truque moderno?
A resposta curta é esta… Sim, pode ser legal. A longa é um pouco mais interessante.
Não estás a pagar mais. Estás a perder um desconto!

Na maioria destes casos, o truque não está em cobrar mais pelo dinheiro. Está em oferecer mais a quem paga com cartão.
Ou seja, em vez de dizer “em numerário custa mais”, o comerciante define um preço base e depois dá um bónus, mais tempo ou mais produto, a quem escolhe o método de pagamento que lhe dá menos dores de cabeça.
Na prática, é um desconto indireto.
Por que razão o dinheiro é um problema para o negócio. Não devia ser o contrário?
Normalmente, pelo menos em Portugal, os estabelecimentos dão prioridade ao dinheiro “vivo” porque isso abre a porta a alguma fuga aos impostos. Porém, ao contrário do que muita gente ainda pensa, dinheiro físico não é barato para quem vende. Dá trabalho, cria riscos e custa dinheiro.
É preciso recolher moedas, gerir trocos, contar valores, fazer depósitos bancários e pagar comissões elevadas só para despejar moedas no banco. Junta-se a isso o risco de assaltos, erros humanos e avarias em máquinas. Num negócio self-service, tudo isto mata margens.
O cartão, pelo contrário, é limpo, automático, rastreável e previsível. Em Portugal, as comissões multibanco são relativamente baixas, especialmente quando comparadas com os custos reais de lidar com numerário.
Mas a lei não obriga a aceitar dinheiro?
Sim, obriga. E aqui está o ponto importante: aceitar dinheiro não significa que o preço tenha de ser o mesmo! Ou seja, desde que a diferença esteja apresentada de forma clara e não como uma sobretaxa direta, está tudo bem.
Conclusão
Não é ilegal, desde que esteja bem comunicado. Não é novo, nem exclusivo de Portugal. E não é um ataque ao dinheiro físico, é apenas economia prática.

