O YouTube dá dinheiro, mas parece ter sede para algo mais, por isso continua a fechar a torneira aos poucos. Dito tudo isto, desta vez mexeu numa funcionalidade que muita gente usava sem sequer pensar muito nisso.
YouTube voltou a querer dinheiro, e tu devias ficar irritado

Durante muito tempo, era possível ouvir vídeos do YouTube em segundo plano no smartphone sem pagar nada. Tinhas de usar um “truque”, que passava pelo uso do browser em vez da app. Era mesmo só isso, nada de hacks manhosos, nada de apps estranhas. Funcionava no Edge, no Samsung Internet e noutros browsers móveis.
Pois bem, agora acabou!
A Google confirmou que corrigiu esse “desvio” e que a reprodução em segundo plano passa a ser, oficialmente, exclusiva do YouTube Premium. Se queres ouvir música, podcasts ou entrevistas com o ecrã desligado, só pagando.
Isto significa que não foi um bug. Foi uma decisão bem pensada.
A justificação é simples, e de facto até faz algum sentido no lado do negócio. A funcionalidade sempre foi pensada para o plano pago e agora existe “consistência” entre plataformas.
Fica a ideia de que o plano gratuito estava a ser bom demais.
O problema não é só o YouTube
O YouTube não está sozinho nesta corrida para tornar o plano gratuito cada vez mais insuportável.
O Instagram já está a testar anúncios impossíveis de saltar em Stories e no feed. Há utilizadores a levar com dois ou três anúncios seguidos. O TikTok segue caminho semelhante. No streaming, o cenário é idêntico. Mais anúncios, mais restrições, mais empurrões para planos pagos, ou para planos ainda mais caros.
No caso do YouTube, a coisa é ainda mais agressiva. Anúncios mais longos, anúncios não saltáveis, bloqueio ativo de adblockers e agora o fecho de portas a soluções alternativas perfeitamente normais.
Curiosamente já circulam rumores de que o controlo da velocidade de reprodução pode ser o próximo a ir parar ao Premium. Ver vídeos a 1.25x ou 1.5x pode vir a ser um luxo pago.
O efeito colateral que ninguém quer admitir?
Sempre que uma plataforma aperta demasiado, acontece o mesmo fenómeno. As pessoas começam a fazer contas.
YouTube Premium, Netflix, Spotify, Disney+, cloud, armazenamento, apps, subscrições disto e daquilo. Tudo junto, a fatura mensal começa a meter medo. E quando isso acontece, há quem simplesmente desista… ou procure alternativas menos legais.
É aqui que entram fenómenos como IPTV pirata, downloads e outras soluções que muita gente jurava já estarem mortas. Não porque as pessoas não queiram pagar, mas porque o modelo está a ficar cada vez mais abusivo.
No fim do dia, a escolha ainda é tua
O YouTube continua a ser uma plataforma incrível. O problema é a estratégia. Em vez de tornar o Premium mais apelativo, está a tornar o gratuito cada vez pior. É uma aposta irritante e arriscada devido a isso mesmo.
Podes pagar e seguir em frente. Podes abandonar. Ou podes procurar atalhos, legais ou não. Mas uma coisa é certa… Cada funcionalidade que desaparece atrás de um paywall aproxima mais gente do limite.

