Quando a Xiaomi anunciou que se ia meter no negócio dos automóveis elétricos, muita gente no ocidente torceu o nariz e encarou a coisa como uma brincadeira passageira de uma fabricante de smartphones. Mas o consumidor “normal” fez a festa.
De facto, ainda me lembro da loucura que foi sempre que existiam novidades a chegar à Internet. Aliás, para mim, foi o primeiro grande sinal de que a Europa ia receber os carros chineses de braços abertos. Dito tudo isto, depois de alguns anos em banho-maria, eis que a Xiaomi se prepara para entrar na Europa, e caso não saibas, isto significa entrar com força também em Portugal.
Xiaomi vai vender carros em Portugal? Sim, mas provavelmente só em 2028.

Portanto, a Xiaomi aproveitou a IFA de Berlim para oficializar os primeiros acordos com oito grandes grupos de concessionários alemães, traçando o caminho para começar a vender os seus carros elétricos na Europa já em 2027.
A jogada é cirúrgica e mostra bem ao que a marca vem.
Ou seja, em vez de tentar começar por mercados periféricos, a gigante chinesa vai apontar baterias diretamente ao coração da indústria automóvel europeia: a Alemanha. Vai jogar fora de casa no próprio quintal da BMW, da Mercedes e da Porsche, onde já tem inclusivamente um centro de desenvolvimento instalado em Munique.
Só agora?
Sim, a Xiaomi deu que falar há alguns anos quando anunciou que queria desenvolver e vender carros a uma escala global. Mas… O mercado mudou.

O SU7 já não é a novidade de outrora, e de facto, já existem outros carros chineses bons e baratos nas nossas estradas. Fica até a ideia de que a Xiaomi se atrasou nesta aposta, e isso pode vir a custar caro.
O atraso na chegada à Europa nunca teve a ver com falta de vontade da marca, mas sim com uma procura interna tão brutal que as linhas de montagem pura e simplesmente não davam vazão. Os números que a Xiaomi apresenta na Ásia metem respeito a qualquer construtor centenário.
Afinal, desde a estreia do impressionante sedã SU7 e do alargamento da família com o SUV YU7, a empresa já despachou mais de 700.000 veículos na China. Para 2026, a fasquia está fixada nas 550.000 unidades anuais, o que representa um crescimento de mais de 30% em relação ao ano anterior.
Entretanto, ao fechar parcerias preliminares com gigantes da distribuição germânica como Emil Frey, Ernst Dello ou Penske-Jacobs, a Xiaomi garante à partida o que mais faz falta a uma marca nova para ter sucesso: uma rede física real de vendas, entregas e, acima de tudo, assistência técnica pós-venda.
Os construtores europeus têm motivos para ficar nervosos?
Não é segredo para ninguém que as fabricantes tradicionais europeias andam a dormir no ponto com os elétricos, a cobrar valores disparatados por carros com software banal e interiores cheios de plástico que nem sempre justificam a fatura.
A Xiaomi construiu toda a sua reputação a entregar integração digital profunda, acabamentos dignos de nota e preços que cortam as pernas à concorrência.
Mas, apesar da promessa de 2027, começa a ser cada vez mais óbvio que a Xiaomi só vai ter carros em Portugal mais perto de 2028. O que pode ser desapontante para alguns, mas pode ser uma boa notícia para outros. Podemos ver de longe como é que a coisa corre na Alemanha! E depois, tomar decisões a saber que é apenas uma questão de tempo até chegarem cá.
Antes de mais nada, o que pensas sobre a chegada dos carros da Xiaomi? Compravas um SU7 em vez de um modelo equivalente da Tesla ou da Porsche se o preço fosse competitivo?








