Sim, a Qualcomm pode ter criado o chip mais poderoso do mundo (Android), mas isso não significa que toda a gente o vá usar. É que nos dias que correm, a performance já não é tudo. O preço é cada vez mais um fator pesado na balança que leva as fabricantes a desenvolver, ou não, um novo produto.
Isto é ainda mais verdade agora, que os chips de memória estão a encarecer de dia para dia.
Por isso, ao que tudo indica, a Xiaomi pode estar a ponderar saltar o novo Snapdragon 8 Elite Gen 6 Pro na maioria da sua gama topo de gama. A razão é simples… Dinheiro.
2 nm não é brincadeira. É caro! Demasiado caro.
O novo Snapdragon 8 Elite Gen 6 Pro deve ser produzido no processo de 2 nm da TSMC. Soa incrível. E é de facto incrível. Mas também é absurdamente caro. Especialmente esta versão, que deve chegar a frequências nunca antes vistas no mundo mobile, e como tal, precisa do melhor silício possível.
Por isso, a Xiaomi, que até costuma ser das primeiras a adotar os novos e melhores processadores da Qualcomm, disse que não.
A Xiaomi vai mesmo abdicar do “melhor”?
Segundo rumores vindos da China, a Xiaomi deve lançar os seus modelos base, Pro e Pro Max em setembro equipados apenas com o Snapdragon 8 Elite Gen 6 “normal”, aliás, pode até apostar em alternativas como o Dimensity 9600 da MediaTek.
Assim, a acontecer algo com o Pro, vai ser apenas com o modelo Ultra.
Mas, como a Apple não parece estar com grandes planos de aumentar preços com a geração iPhone 18 de Setembro, a Xiaomi fica com as mãos atadas para aumentar preços, e assim manter margem.
Mas há assim tanta diferença?
O modelo Pro deve trazer melhorias como mais cache e um GPU mais rápido face ao Snapdragon 8 Elite Gen 6 standard. Nada de revolucionário para o utilizador comum, claro. Mas… Os consumidores precisam mesmo de um “mega” processador? Claro que não.
Qualquer smartphone de topo, mesmo com 3 ou 4 anos em cima, é ainda perfeitamente capaz de correr toda e qualquer app.
Por isso, mesmo não sendo necessário, a Xiaomi fica com a aura de “não usar o melhor” e “não ter o melhor”, e isso mancha a imagem da fabricante.
Curiosamente, a Qualcomm até pode dar alguma flexibilidade aos parceiros, permitindo usar LPDDR5X em vez de LPDDR6 para cortar custos. Mas mesmo assim, o problema maior está na produção e nos wafers de 2 nm, que não são baratos.
O mercado Android vai mudar estratégia?
O problema aqui pode ser outro. Ou seja, não vai ser só a Xiaomi a fazer isto. É muito provável que outras fabricantes chinesas façam exatamente o mesmo. O mercado de smartphones é brutal. As margens são apertadas, a concorrência é feroz e ninguém quer lançar um flagship que custe mais 200€ só porque o chip é 5% mais rápido.
No final do dia, a pergunta é simples:
- Preferes pagar mais para ter o “Pro” no nome do processador, ou achas que o modelo standard já chega perfeitamente?
Porque, se esta tendência se confirmar, 2026 pode ser o ano em que o chip mais poderoso deixa de ser o chip mais popular.









