Já tens um telemóvel Xiaomi. Talvez um aspirador, uma televisão, uma escova de dentes. Agora imagina um SUV de 5,3 metros em que os bancos da frente rodam 180 graus para ficarem virados para ti, com uma mesa ao meio e um frigorífico à mão. É isto o Xiaomi SkyNomad N90 e o preço vai deixar-te ainda mais desconfiado. Na prática é um SUV da Xiaomi que se transforma em sala de estar.
SUV da Xiaomi: não é um carro, é uma divisão da casa
A Xiaomi já vende carros na China há mais de cinco anos, mas até agora eram desportivos: o sedan SU7 e o SUV YU7, feitos para quem gosta de conduzir. O SkyNomad é a resposta ao lado oposto do mercado.
O próprio Lei Jun, fundador da marca, explicou a diferença: o SU7 e o YU7 são “carros de condutor”; o SkyNomad é um SUV inteligente de grande espaço transformável. Quando está estacionado, a ideia é que o interior se transforme naquilo que precisas, um escritório para um, um café para dois, uma sala para três ou um parque infantil para a família toda.

Para isso, a Xiaomi teve de construir uma plataforma nova de raiz, a chamada arquitetura Kunlun, com o piso completamente plano e calhas longas nos bancos. É o que permite reorganizar o habitáculo sem ficar tudo encavalitado.
Os números do N90
O modelo topo de gama, o N90 Max, mede 5.285 mm de comprimento, quase dois metros de largura e tem 3.080 mm de distância entre eixos. Existe em versão de cinco e de sete lugares e pesa 2.800 kg.
E aqui vem a parte que confunde muita gente: não é um elétrico puro. É um EREV, ou seja, um elétrico de autonomia estendida. Leva um motor a gasolina de 1,5 litros que nunca move as rodas. Ou seja, serve apenas de gerador para carregar a bateria. Só os motores elétricos (210 kW e 100 kW) é que fazem o carro andar. Resultado: mais de 1.500 km de autonomia combinada, sem depender de carregadores.
A versão que dorme lá dentro
A variante mais bizarra chama-se N90 Max Camping Edition e nem sequer está registada como automóvel de passageiros normal na China. Leva tejadilho elevável, uma cama no teto, armários laterais, ligação para toldo e até um projetor opcional.
O tejadilho só pode ser aberto com o carro parado e fora da via pública. Isto faz todo o sentido, mas também diz muito sobre o que a Xiaomi anda a tentar vender aqui. Trata-se de um carro que é meio autocaravana, meio escritório, meio sala de estar.
E o preço?
É este o detalhe que trava a conversa. A gama deverá arrancar perto dos 200 mil yuan, ou seja, qualquer coisa como 25 a 26 mil euros ao câmbio direto. Por um SUV de sete lugares, de 5,3 metros, com 1.500 km de autonomia.

Antes que comeces a fazer contas ao IUC: isto é um preço chinês, num mercado chinês, para um carro que por agora é exclusivo da China. Em Portugal, um carro destes com impostos, homologação europeia e margem de importador não ficaria nem perto disso.
Chega à Europa?
Não há confirmação nenhuma. A Xiaomi ainda não vende um único carro fora da China. Entretanto sempre disse que a expansão internacional só acontece quando a produção interna estiver estabilizada e este ano a marca está a ficar aquém das próprias metas de entregas.
Traduzindo: o SkyNomad é fascinante, mas por enquanto é um carro para ver de longe. Serve sobretudo como aviso do que aí vem porque quando as marcas chinesas de tecnologia decidirem mesmo entrar na Europa, é com este tipo de proposta que vão bater à porta.






