Ainda ontem estávamos a falar de como a Xiaomi tem uma oportunidade de ouro ao antecipar os seus novos topo de gama para apanhar a Apple e a Samsung a dormir, e eis que começam a saltar cá para fora os primeiros sapos que o consumidor vai ter de engolir.
Ou seja, durante o Snapdragon Summit no Havai, confirmou-se um detalhe que cheira a esturro a quilómetros de distância… O Xiaomi 18 Pro vem equipado com o Snapdragon 8 Elite Gen 6, enquanto o irmão maior e mais caro, o Xiaomi 18 Pro Max, leva o todo-poderoso Snapdragon 8 Elite Extreme Gen 6.
Xiaomi 18 Pro vs Pro Max: Pagar muito e levar um chip fraco!?

Espera lá, então pagas por um modelo Pro a valer bem mais de mil euros e ficas com o processador secundário? A Xiaomi já veio a terreiro justificar-se com as leis da física e o tamanho do aparelho. Mas, esta discriminação dentro da mesma linha Pro arrisca-se a transformar o modelo mais pequeno num tiro no pé monumental! (Isto se não vier ao preço certo, claro).
Quando uma marca mete o selo “Pro” em dois telemóveis apresentados lado a lado no mesmo palco, o cliente tem a expectativa óbvia de que o “motor” de ambos é exatamente igual, mudando apenas a diagonal do ecrã e a capacidade da bateria. Só que a Qualcomm e a Xiaomi decidiram complicar o que devia ser simples.
A desculpa do espaço? Bem… O chip “Extreme” é literalmente maior!
Questionada sobre o porquê de não meter o mesmo silício de topo em ambos os modelos, a resposta oficial da Xiaomi apontou diretamente para as limitações físicas de arrefecimento e arquitetura interna.
E a explicação técnica resume-se a um compromisso de engenharia muito curioso:
- A memória fora do sítio habitual: No Snapdragon 8 Elite Gen 6 tradicional, os chips de RAM ficam empilhados diretamente por cima do SoC. Já na versão Extreme, a memória foi desviada para o lado para conseguir dissipar o calor violento com muito mais facilidade. O resultado? O processador completo ocupa fisicamente muito mais área na placa-mãe.
- Só cabe no grandalhão: Segundo a Xiaomi, apenas o corpo avantajado do 18 Pro Max tem volume interno suficiente para alojar este monstro e a câmara de vapor necessária para o manter fresco. O 18 Pro “normal”, por ser mais compacto (6,4 polegadas), simplesmente não teria espaço para acomodar o chip sem queimar as mãos do utilizador ou sacrificar a bateria.
Mais uma confusão para a cabeça do consumidor comum…
É verdade que ambos os chips são produzidos na mesmíssima litografia de 2nm da TSMC, o que promete consumos energéticos inacreditáveis e autonomias brutais (já vimos o que os 2nm fizeram no iPhone 18 Pro). Só que a Qualcomm já avisou que esta estratégia de lançar dois chips “Elite” no mesmo ano vai ser copiada por várias marcas chinesas.
E o que é que isto significa na vida real? Uma tremenda confusão na hora de comprar.
A discriminação que se paga.
A indústria mobile tem uma habilidade assustadora para inventar novos patamares de preço onde eles não deviam existir. Primeiro inventaram o “Ultra”, depois o “Max”, e agora até dentro do mesmo patamar “Pro” conseguem criar cidadãos de primeira e de segunda categoria com base no silício que vai lá dentro.
A física pode explicar muita coisa e os 2nm vão certamente garantir que nenhum dos dois se arrasta. Mas a sensação com que o consumidor fica é sempre a mesma. Se não comprares o modelo mais caro, maior e mais desconfortável no bolso, estás a levar gato por lebre para casa.






